Alfabetização e letramento sob a luz dos moradores do vale do javé

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Aliam Maria Ferreira

Aliam Maria Ferreira Bezerra

Consultora REDEM – Brasil

 

DEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO – (DPG).
Programa de Mestrado e Doutorado
Mestrado em Docência da Educação Brasileira – (MT-deb)

ALIAM MARIA FERREIRA BEZERRA
AURINEIDE FRANCISCA DA SILVA
FABIANA DE MELO OLIVEIRA PEREIRA
LUCIANA KERLEY FORMIGA COSTA
THALLES RICHARDSON GOMES RAMALHO

alfabetização e letramento sob a luz dos moradores do vale do javé

POMBAL– PB
2013
ALIAM MARIA FERREIRA BEZERRA
AURINEIDE FRANCISCA DA SILVA
FABIANA DE MELO OLIVEIRA PEREIRA
LUCIANA KERLEY FORMIGA COSTA
THALLES RICHARDSON GOMES RAMALHO

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO SOB A LUZ DOS MORADORES DO VALE DO JAVÉ

Artigo apresentado ao professor Dr. Durval Ferreira Vieira, como requisito para obtenção de crédito no Componente Curricular: Educação, alfabetização e letramento do Mestrado em Docência da Educação, ministrado pela Faculdade do Norte do Paraná – FACNORT.

POMBAL – PB
2013

RESUMO

O presente trabalho busca a realização de um estudo mais aprofundado sobre Alfabetização e Letramento, suas diversas definições, contestações e aplicações no cotidiano do brasileiro, em especial dos moradores do pequeno e pobre povoado de Javé, localizado no sertão baiano descrito no filme: “Os Narradores de Javé” – filme brasileiro, de cunho dramático, filmado em 2003 no interior da Bahia, dirigido pela cineasta Eliane Caffé e vencedor de diversos prêmios nacionais e internacionais. O longa-metragem descreve a história de nordestino-sertanejos que veem sua história se perderem com a inundação de seu povoado através da chegada de uma represa para a construção de uma usina hidrelétrica. Porém, nossa investigação a respeito do tragicômico filme busca evidenciar as muitas causas para o desaparecimento do povoado de Javé e a triste partida dos seus habitantes, sem o menor ressarcimento por parte do Governo pelas terras inundadas. Chegamos à conclusão de que a mais importante das causas para tamanha desgraça daquele povo é o analfabetismo, embora fosse rico em letramento era miserável em alfabetização. O povoado do Vale de Javé e seus habitantes, assim como muitos municípios brasileiros, não possuem nenhum tipo de registro escrito e oficial de suas terras e genealogia, tendo assim, a cidadania de seus habitantes ameaçada por não fazerem parte das estatísticas. Este trabalho está dividido em equipes responsáveis por apresentar e esclarecer, a partir do filme e seus personagens, as seguintes questões: Contexto de letramento, O analfabetismo como fator negativo para o sentimento de cidadania, O significado da alfabetização e do letramento na vida de Antônio Biá – único alfabetizado do povoado, A necessidade do ler e escrever para os moradores do vilarejo de Javé e Fronteiras que impediram Antônio Biá de proporcionar perspectivas ao povo de Javé.
Palavras chaves: Alfabetização, Letramento e Analfabetismo.

ABSTRACT

The present work search the accomplishment of a study more deepened on Literacy and Letramento, its several definitions, replies and applications in the daily of the Brazilian, especially of the inhabitants of the small and poor town of Javé, located in the interior from Bahia described in the film The Narrators of Javé – it films Brazilian, of dramatic stamp, filmed in 2003 inside Bahia, driven by film director Eliane Caffé and winner of several national and international prizes. The long-metragem it describes the history of native of northeastern Brazil-country that see its history if they lose with the flood of its town with the arrival of one it dams for the construction of an usina hidrelétrica. Even so, our investigation regarding the tragicômico films search to evidence the a lot of causes for the disappearance of the town of Javé and the its inhabitants’ sad departure without the smallest ressarcimento on the part of the Government for the flooded lands. We reached the conclusion that the most important of the causes for tamanha ruins of that people it is the its inhabitants’ illiteracy – a rich people in letramento and beggar in literacy. The town of the it is Worth of Javé and its inhabitants, as well as many Brazilian municipal districts, don’t possess any type of registration writing and official of its lands and genealogy, tends like this the its inhabitants’ citizenship threatened for they be not part of the statistics. Our work is divided in responsible teams by to present and to illuminate, starting from the film and its characters, the following subjects: Letramento context, The illiteracy as negative factor for the citizenship feeling, THE meaning of the literacy and of the letramento in Antônio Biá life – only alphabetized of the town, The need of the to read and to write for the inhabitants of the javé villa and Borders that impeded Antônio Biá of providing perspectives to the people of Javé.
Keywords: Literacy, Letramento and Illiteracy.

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por finalidade apresentar uma visão crítica a respeito de letramento e alfabetização sob a luz dos moradores do Vale do Javé. O desenrolar de todos os fatos são apresentados através de cinco perspectivas que farão abordagem confiadas sobre atitudes e comportamentos de cada um dos personagens do filme: “Os narradores de Javé”.
Enveredar nos caminhos do conhecimento dessa abordagem vai garantir ao leitor não só diferenciar letramento de alfabetização, mas também vivenciar formas variadas de prática letrada e os valores proporcionados àquele que consegue estabelecer o domínio da escrita. Como afirma Magda Soares: “[…] alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado […] é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita […]”.
Descobrir no piscar de olhos os valores sociais de um povo, só enaltece aquele que por direito se deleita a fazer descobertas de valor intelectual, com comprovações de habilidades do saber fazer associado ao para que fazer, comprovando, assim, um processo metalinguístico dos agentes.
No entanto, todos os alfabetizados devem fazer essa caminhada intelectual através da percepção da equipe de produção, que muito bem mostrou a prática em descobertas, primeiramente, com destaque no contexto de letramento tendo como base os personagens do filme, seguido pelo analfabetismo como fator negativo para o sentimento de cidadania dos personagens, depois a visão focada na importância que o letramento e a alfabetização tiveram para o protagonista, além de mostrar a necessidade do ler e do escrever para aquela comunidade e, finalmente, deixar o leitor consciente sobre as fronteiras que impediram Antônio Biá de proporcionar perspectivas ao povo do Vale.

“Assim, a versão moderna da teoria da grande divisa, que por sua vez confunde-se com o modelo autônomo de letramento, apela para a alfabetização como critério para estabelecer diferenças entre processos cognitivos e comunicacionais, diferenças estas que se configurariam na forma de abismo intransponível entre aqueles que não sabem ler e escrever e aqueles que sabem.” (LEDA TFOUNI, 2005, p.37).

1 CONTEXTO DE LETRAMENTO DOS PERSONAGENS DO FILME

“O objetivo do conhecimento não é descobrir o segredo do mundo em uma palavra mestre e/ou numa ação concreta (grifo nosso), é dialogar com o mistério do mundo. Não perder a ludicidade, o prazer, a alegria de penetrar no conhecido em busca de respostas parciais…”.
Morin

Ao tratar de um tema de tamanha importância para a Educação, como se constitui, hoje, o Letramento, fez-se necessário um verdadeiro trabalho de garimpagem, em meio ao que se tem até aqui produzido. Partiu-se de indícios, de elementos contextuais de letramento dos personagens do filme: “Narradores de Javé”, de pesquisas, leituras e discussões. De acordo com Morin na epígrafe escolhida, foi estabelecido um dialogo permanente com os mistérios que envolvem a temática pela sua própria complexidade e/ou pela sua novidade na pesquisa científica, pois não se pode esquecer que o termo letramento, surge no cenário acadêmico a partir de 1986 (SOARES, 1986), assim não se pode perder de vista que as pesquisas, os conceitos orientados por diversos paradigmas estão em pleno momento de construção. O que não impediu de criar espaços de ludicidade, vivências imaginárias, territórios de fantasias e sonhos, guiados por concepções já existentes em busca de respostas parciais e de contribuições na produção dos saberes.
Vygotsky, Piaget, Wallon, Paulo Freire e Soares têm contribuído com suas teorias, as quais se tornaram paradigmas, quer seja complementares entre si/ou antagônicos, nas pesquisas realizadas aqui no Brasil, demarcando territórios na produção do conhecimento, na orientação da formação de professores, bem como nos diversos níveis de escolarização que vão da educação básica aos níveis de graduação e nas pós-graduações.
Neste sentido, o conceito que norteia a contextualização do letramento, neste artigo, parte de um dos principais livros de Vygotsky: Formação Social da Mente, onde o mesmo afirma a partir de sua grande tese – Zona de desenvolvimento proximal – que os sujeitos históricos, homens e mulheres, crianças e adultos, no seu processo de aprendizagens (Educação formal ou informal) são influenciados pela genética de cada individuo e pelas múltiplas influências histórico-culturais do seu meio, do seu tempo e das diversas interações sociais dos mesmos em seus espaços de vivências, daí a concepção de individuação no processo educacional, o que não é nosso foco, neste momento.
Assim, define-se letramento primeiramente como uma condição de cidadania, pois inicialmente pressupõe o processo de aprendizado do uso da tecnologia da língua escrita em cada espaço, posteriormente tem como significado os atributos em que a criança/adulto pode usar os recursos da língua escrita em momentos de fala, em contextos sociais, mesmo antes de ser alfabetizada. Esse aprendizado se dá a partir das vivências e interações com outros sujeitos (crianças/adultos), com os diversos símbolos, signos, emblemas, materiais escritos disponíveis no meio em que vivem – livros, revistas, cartazes, rótulos de embalagens e outros. Desta feita, percebe-se que de acordo com Vygotsky esse processo acontece pela mediação de uma pessoa mais experiente através dos bens materiais e simbólicos criados em sociedade. Na qual podemos concluir que muitos fatores contribuem para o processo da aprendizagem, no que diz respeito à alfabetização, o nível de letramento do sujeito histórico/cidadão é determinante. Para tanto, identificou-se o contexto de letramento dos personagens do filme: “Os narradores de Javé”, a partir de uma amostragem significativa, em meio aos mitos, emblemas, sinais, narrativas, heroísmos e afetividades – amor para com o vale de javé desde a fundação até aos seus mortos enterrados ali: “[…] é importante permitir-se tempo para observar tudo que se passa ao nosso redor, e, sobretudo, cuidar de ter tempo para refletir (e tomar decisões) sobre o que se está vivendo” (HOFFMANN).

1) Zaqueu, este personagem representa no sentido mais amplo o contexto do letramento e de forma sedutora e apaixonante os elementos caracterizadores do mesmo, nas diversas cenas de interação, liderança e mediação que envolve os personagens do filme: motorista; negociante a partir de encomendas; vivia em contato com as pessoas e as notícias que corriam pela cidade; líder do vale de Javé, articulador e mediador diante das necessidades vivenciadas. Usou como estratégia para reunir o povo – mediante a notícia de cunho político e desenvolvimentista a construção de uma hidrelétrica, onde a represa inundaria o povoado “está chegando o progresso no povoado, que beneficiará a muitos e promoverá o desenvolvimento”- o toque do sino da igreja – emblema que sempre esteve presente no dia a dia dos javélicos desde sua fundação é símbolo de união entre os povos por meio da fé. A igreja, espaço de verdade, de união e compromisso entre eles, serviu para a grande notícia, discussão e definição de estratégia para mudar esta realidade (Escrever um dossiê, a partir das histórias contadas, desde fundação, os grandes acontecimentos, histórias verdadeiras, enfatizava Zaqueu: Científica), que permitisse ao povoado seu tombamento/tornando-o patrimônio histórico, o que seria impossível para um povoado de analfabetos! Contudo, Zaqueu era um estrategista, articulador, líder e de visão, pois ao saber da notícia foi até as autoridades confirmar as informações e buscar soluções para evitar tal acontecimento. Sendo sabedor do que poderia ser feito articulou e convenceu o povo, tendo como colaboradores Sr. Evaldo (aquele que teve acesso aos mapas, desenhos e projeto da hidrelétrica e que juntamente com Zaqueu passou as informações para o povo javélico) e Sr. Firmino (o tocador do sino para chamar o povo e o fiscal do trabalho de Antônio Biá, por saber do que o mesmo seria capaz, caso o deixasse livre. Ele e Sr. Evaldo acompanhavam Biá,  todo tempo), são eles que veem em Biá a única possibilidade de ter o dossiê elaborado, mesmo odiado pelo povo, mas os Javélicos aceitam receber Biá para tamanha empreitada. Vale ressaltar que é de Sr. Evaldo o entendimento de que na fundação do Vale de Javé o povo não havia fugido de onde morava em função da guerra, mas um povo guerreiro saiu em retirada, de acordo com o mesmo,… ”Fugido sai correndo de costas para o inimigo, retirada sai de frente para o inimigo, como fez o povo Javélico, antes de chegar nestas terras”. Não podemos deixar de destacar no contexto do letramento a narrativa de Sr. Firmino, cuja narrativa questiona a narrativa de Teodora e apresenta outra versão para a morte de Idalécio (herói, líder do povo no momento da fuga e/ou retirada, mesmo ferido, guiou seu povo até as novas terras, antes que morresse, cantou as divisas do Vale de Javé), como também apresentou a versão de que Mariadina, louca esfarrapada, encontrada pelo bando no meio do caminho. (Interessante observar que as narrativas – juntadas das histórias vividas pelo povo de Javé), sem querer tratar a questão da veracidade de cada história contada como documento histórico – A identificação dos contadores de histórias com os seus heróis e/ou a própria identificação com os mesmos.

2) Antônio de Biá, único alfabetizado e letrado no povoado de Javé. Importa esclarecer, neste contexto o que muitos estudiosos consideram sobre a afirmativa acima: a alfabetização é o processo de descoberta do código escrito pela criança/adulto letrados é mediado pelas significações que os diversos tipos de discursos têm para eles, ampliando seu campo de leitura através da alfabetização, ao mesmo tempo em que amplia no alfabetizado seu campo de compreensão, atuação e exercício de cidadania, mediante toda experiência e vivências que os mesmos trazem consigo. Assim, no contexto do letramento, tema tratado aqui, Biá que morava nos arredores do povoado, por ter aprontado a façanha de escrever a todos que conhecia em outras cidades cartas sobre as pessoas que moravam no povoado, acrescentando peculiaridades e expondo fragilidades até então escondidas por cada um deles, isto para garantir seu emprego nos correios em um povoado de analfabetos. Ao ser descoberto foi expulso para os arredores do povoado e lá exercia o exercício das letras, escrevendo nas paredes do barraco que morava. Era um homem astuto, criativo, tinha compreensão do ridículo, era estrategista, oportunista, tendo consciência do poder da escrita e de como usá-la para o bem, para diversão e para maldades. Até que Zaqueu, Evaldo e Firmino foram buscá-lo e responsabilizá-lo pela juntada das histórias espalhadas na cabeça de cada um e cada uma, ”histórias de valor de caráter científico, para que pudesse o povoado ser tombado e transformado em patrimônio Histórico da Humanidade”, orientou Zaqueu, convencido de que esta era a oportunidade de salvar Javé e o Biá ser aceito pelo povo. Mesmo com as magoas, mesmo o tendo como um irresponsável, as pessoas não tiveram saída, foram convencidas a abrirem suas portas para Biá. Permita dizer que entre os Javélicos, Sr. Antero, o dono do bar, era alfabetizado e letrado (era comerciante e foi ele que fez a leitura de uma das cartas para que Biá soubesse que o povo não esqueceu sua trapaça). No contexto do letramento Sr. Antero convivia com tecnologias da escrita, no seu comércio e nas negociações de compras na cidade próxima.

3) Sr. Vicente, pai de Tereza, parente de Idalécio, foi o primeiro a ser entrevistado, abriu uma caixa, como se guardasse as provas do que ia contar e nela estava um quadro de São Jorge (santo guerreiro) e uma arma do tempo da chegada ao povoado e começou a narrar a valentia, liderança, perseverança de Idalécio, que mesmo ferido foi quem conduziu o povo, quando bateu em retirada, ameaçados pela guerra até descobrir um lugar seguro para assentar seu povo. Para ele quem cantou as divisas do povoado de Javé, foi Idalécio. Os símbolos guardados naquela caixa evidenciam no contexto a ideia de provar o que estava sendo dito, pressupõe uma compreensão coerente, dava um estatuto de verdade ao que estava sendo dito. O que para Biá aquela narrativa não tinha nenhum significado especial, motivo pelo qual o mesmo nunca conseguiu escrever, em tempo de tornar diferente aquela realidade. Vale ressaltar que em todas as narrativas o grande legado que o povo conduzia era o sino da igreja, símbolo máximo de honraria e fé cristã.

4) O Barbeiro, a barbearia foi ambientada embaixo de uma grande árvore, apresentava o letreiro com nome e valor do serviço, o que denota a convivência do mesmo com elementos da tecnologia da escrita a partir de todos os signos, símbolos e emblemas da cidade o que possibilita o letramento e, principalmente a circulação de notícias e inter-relações pessoais. Neste contexto, podemos observar também, a compreensão que o barbeiro tinha da importância do dossiê, contando a história de Javé, isto fica claro quando o mesmo interpela o Biá e tenta negociar sua participação nas histórias contadas e juntadas, formando um grande livro, na negociação, ele aceita até uma participação mínima, o que expressa  a importância dada ao dossiê.

5) Teodora,  mulher de aspecto guerreiro e forte personalidade, a qual na contextualização do letramento, narra a fuga do povo, das terras que habitavam e todo seu percurso até o momento das divisas cantadas do Vale de Javé com autenticidade da palavra como o próprio estatuto da verdade. Ela se considera descendente direta de Maria Dina, a heroína que cantou as divisas de Javé: “do rumo do cruzeiro do céu até onde a vista alcança há de ser terra nossa, neste contrário de rumo até onde os homens marcham, serão terras do Vale de Javé”. Sua narrativa expressa imaginariamente, Mariadina/ sua imagem, como a grande heroína, pois com a morte de Idalécio, foi a mesma que encontrou o Vale, cantou as divisas e assentou o povo. E a grande prova de sua descendência era uma mancha na mama que toda mulher da família possuía. Teodora ao ser questionada sobre sua narrativa deixou evidente que a negação da sua narração era pelo fato de ser uma mulher que fez parte do bando e assumiu a liderança e foi muito mais longe do que Idalécio pode ir. Há indícios de uma compreensão e rejeição por sua parte da inferioridade feminina.

6) Os Gêmeos , No contexto do letramento, apresentam maletas contendo provas do que vai ser narrado, entre outras coisas o documento que comprova a posse das terras onde Idalécio foi enterrado e explica a todos presente em um pensamento peculiar que: “ a terra vale pelo que produz, mais vale muito mais pelo que esconde.”  Neste caso o herói de todo o povo Javélico. Aqui encerra nossa amostragem do contexto de letramento dos personagens do filme: Os narradores de Javé.
Portanto, entende-se que o povoado de Javé/Vale de Javé com todos seus emblemas, mitos, símbolos e sinais possibilitou o letramento do seu povo, até porque entenderam o que não foi possível fazer e como a luta contra o governo era desigual e cheia de artimanhas e desrespeito para com os moradores de Javé, pois sem receber nenhum comunicado oficial, o coronel, representante legal do governo, adentrou ao povoado com os engenheiros, maquinários e os dados contidos na placa sobre a execução do projeto, prazos e custos. E uma dor eles tiveram que sufocar e a afetividade pelos seus mortos enterrados ali. Os que resistiram viram as águas engolir Javé, mas viram também, que sua história mesmo não servindo para mudar a realidade, passou a ser conhecida por todos que leram o livro sobre o Vale de Javé. E assim, Zaqueu continuou sua vida narrando, nas suas prosas, o que para aquele povo foi uma grande desgraça!

  “Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível”.
Carlos Drummond de Andrade

2 O ANALFABETISMO COMO FATOR NEGATIVO PARA O SENTIMENTO DE CIDADANIA DOS PERSONAGENS

Indiscutivelmente, a população do pequeno povoado do Vale de Javé, localizado no sertão baiano, escondido nos mais longínquos serrotes da região nordeste, sofreu durante toda a sua existência os efeitos do analfabetismo. Um povo com uma história incerta em decorrência da inexistência de registros escritos e, ainda que possuísse registros, não haveria muitas possibilidades de sucesso, porque os moradores do local não tinham escolaridade. Desesperança, aflição, amargura, batalha e momentos cômicos são colocados na tela do cinema pela Diretora Eliane Caffé para retratar a realidade daquele povo em concordância com muitos dos nordestinos e brasileiros que vivem situações semelhantes.
Pode-se dizer que quase todos os moradores do Vale do Javé são analfabetos, pois não sabem ler, escrever ou fazer cálculos matemáticos. É bem verdade que a grande população é composta de pessoas letradas, mas não se deve defini-la como alfabetizada, uma vez que o “domínio” da leitura e da escrita naquela comunidade estava centrado, apenas, nas mãos de Antônio Biá, um homem esperto/malandro capaz de enganar a população com cartas falsas e recheadas de fofocas escritas por ele mesmo e remetidas aos moradores, somente para garantir seu emprego.
Ao observar o único cidadão alfabetizado do povoado, o conhecido Antônio Biá, nota-se que a escrita dele era rudimentar, com letras sem nenhuma estética, apresentava incapacidade de utilizar uma caneta esferográfica, a leitura limitada e impossibilidade de colocar no papel uma interpretação às diversas histórias e causos contados pelos mais velhos da localidade na busca de elaborar um documento formal e oficial capaz de mostrar às autoridades o patrimônio histórico da comunidade e, assim, tentar livrá-los da inundação da represa para a construção da usina hidrelétrica. Questiona-se, se Antônio Biá era, realmente, um ser alfabetizado ou, somente, um letrado que sabia ler e escrever poucas palavras. Sobre esse ponto de vista, cita-se uma definição para letramento e alfabetização sobre o olhar e a análise de Magda Soares.

“Assim, por outro lado, é necessário reconhecer que alfabetização entendida como a aquisição do sistema convencional de escrita – distingue-se de letramento entendido como o desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita em práticas sociais: distingue-se tanto em relação aos objetos de conhecimento quanto em relação aos processos cognitivos e linguísticos de aprendizagem e, portanto, também de ensino desses diferentes objetos – isso explica porque é conveniente a distinção entre os dois processos” (SOARES, 2004,77.)

Ao longo do filme, observa-se uma comunidade muito pobre, quase miserável, assolada não só pelas mazelas da seca, mas uma localidade isolada de um mundo melhor e mais desenvolvido, um lugar histórico, econômico e socialmente esquecido ou, quem sabe, inexistente para os governantes desse país. Lá, não se percebe a existência de escola, posto de saúde, saneamento básico, infraestrutura, transporte público ou qualquer outro tipo de benefício oferecido pelo poder público àquele povo. Também não se vê nenhum sinal da chegada de tecnologia, bem como: telefone, internet ou, simplesmente, uma televisão.
Pior do que a inexistência de serviços básicos de saúde ou educação é perceber que os moradores do Vale de Javé não sabem se quer da garantia dos seus direitos como cidadãos, ou se têm a consciência de que possuem tal cidadania. Essa apatia os empobrece ainda mais, porém se destaca como um povo rico em relatos, crendices e tradições culturais, um povo letrado e capaz de transmitir de forma oral tudo que foi aprendido ao longo dos anos. E como disse Pacievitch:

“A educação é uma ferramenta extremamente útil para combater a pobreza e a desigualdade, elevar os níveis de saúde e bem estar social, criar as bases para um desenvolvimento econômico sustentável e a manutenção de uma democracia duradoura” (PACIEVITCH, 2008,58).

As narrações feitas pelos moradores mais velhos a Antônio Biá sobre a fundação do povoado do Vale de Javé, leva a conjecturar o quanto eles ambicionavam ser parte integrante e importante da história do lugar, bem como serem parte desse possível patrimônio histórico, uma vez que cada narrador se coloca como descendente de seus fundadores Indalécio e Mariadina, provando assim o triste sabor da exclusão vivenciada por cada um deles. Tristeza maior foi ver seus contos se perderem nos ouvidos e mãos de Antônio Biá que não soube, ou não quis registrar suas histórias no papel.
Os moradores do Vale de Javé só puderam conhecer as investidas do progresso e a chegada da tecnologia em seu meio pela pior maneira possível. Progresso esse capaz de arruinar com os seus sonhos e expulsá-los de suas pequenas casas e propriedades, sem pedir licença para isso, nem se quer indenizá-los, uma vez que seus domínios por ali não possuíam registros escritos, tendo somente posse verbal das terras – as chamadas escrituras de vistas. Poucos foram os moradores que tiveram ressarcimento pelas perdas de suas propriedades com a chegada da represa e a construção da usina hidrelétrica, mas todos eles se viram na obrigatoriedade de partir e deixar para trás tudo que possuíam mergulhados nas águas da represa, salvando poucas coisas dentre elas o sino da igreja por se tratar do símbolo da fundação do Vale de Javé.
Após análise do filme: “Narradores de Javé” e o sofrimento de seus moradores em tentar salvar sua história, sente-se a obrigatoriedade em concordar com a frase do ex-ministro da educação, Cristovam Buarque de que “qualquer escola é melhor que nenhuma escola”. Talvez, se a população do Vale de Javé tivesse tido o direito a escolarização, por mais rudimentar que fosse, teria se visto outra narração nas telas do cinema.

3 O SIGNIFICADO DA ALFABETIZAÇÃO E DO LETRAMENTO NA VIDA DE ANTÔNIO BIÁ

O grande problema da autenticidade de escrita, prática de alfabetização, do então conhecido Biá, acontece quando ele se depara com histórias de grandeza do povo, as quais não obtiveram registro oficial em outras épocas. Diante da necessidade do povo de Javé em escrever um Dossiê para salvar o vilarejo da inundação, Biá passou a ser focado por todos como o capacitado e habilitado em escrita, visto que, em tempo anterior, fundamentou muito bem as habilidades da alfabetização e do letramento.
A mobilização da capacidade competente se deu pela necessidade do próprio Antônio Biá temer ficar desempregado, por isso colocou em ação o conhecimento das histórias que tinha, fazendo fruir a criação do universo narrativo, contando mentiras e calúnias dos habitantes da cidade, e dessa forma poder gerar movimento na agência, e evitar o fechamento da mesma, provando, com essa prática, o conhecimento de ações sociais capazes de favorecê-lo. Apresentando assim a competência alfabética e letrada, pois além da elaboração de cartas escritas, ele descobriu a razão para fazê-las, diferente do saber escrever o gênero, visto que a apropriação da ação de escritura das histórias enfeitadas é apenas uma dentre o conjunto de ações necessárias para a prática social: procurar nomes, endereços, ajustar o conteúdo de cada carta, enviar pelo correio, receber respostas e entregá-las sem medo de ser descoberto por deduzir que estava entre analfabetos.
Como Biá era o único alfabetizado do vilarejo, deram-lhe a oportunidade de favorecimentos em troca da prática escrita e dessa forma o oportunista se torna obrigado a ouvir as histórias contadas de boca em boca sobre a fundação da cidade. Os historiadores apresentam personagens grandiosos e cheios de virtude que habitavam suas lembranças e nesta jornada, Biá foi conhecendo a fundo as fantasias, as memórias e as lembranças do povo de Javé e cada um especialista em história tinha uma tendência a defender ou acusar o fundador, tudo dependia do grau de parentesco. Mas a escrita do Dossiê com essas histórias, tão diferentes umas das outras, não estava fácil. Como afirma Mirian de Albuquerque Aquino: “Precisamos está bem informado no processo de criação. A informação é fundamental para tanto.” Mas Biá, por mais talentoso que fosse na escritura, sentia-se impossibilitado  para escrever o documento que salvaria o lugar amado por todos. As dificuldades deixavam claro que ele não tinha conhecimento suficiente sobre os fundadores e a história científica de Javé.
Quando os habitantes desejaram saber como o livro se encontrava, Biá passou a brincar e ironizar as histórias, não incorporadas por ele, mostrando a incapacidade em concretizar a alfabetização. Somos sabedores de que:
“Usamos alfabetismo para designar o conjunto de competências e habilidades ou de capacidade envolvidas nos atos de leitura ou de escrita dos indivíduos, conjunto esse que se diferencia e particulariza de um para outro indivíduo de acordo com sua história de práticas sociais.”(ROJO)

Antonio Biá não se mostrava preocupado por não conseguir concretizar a prática de escrita, visto que riscou algumas páginas como se quisesse iniciar as primeiras letras, práticas simbólicas nas brincadeiras de faz de conta e fez alguns desenhos impensados, pois tal prática não tinha coerência com os escritos desejados, mostrando assim um distanciamento em relação à prática do letramento, como afirma Rojo: “o letramento busca recobrir os usos e práticas sociais de linguagem que envolvem a escrita de uma ou de outra maneira, sejam valorizados ou não valorizados.” Já Street se aproxima em suas ideias com o que aconteceu, pois afirma que “o letramento varia através dos tempos e das culturas. Por isso, práticas tão diferentes, em contexto tão diferentemente valorizadas, não são concretizadas de fato, pela escrita.”
O foco de reflexão de Biá se esgota e causa o interesse por parte de toda a sociedade local em sair daquela situação através da concretização do Dossiê. As águas já se aproximavam e o escritor consciente de sua incapacidade, enviou o livro sem as informações esperadas. Porém, através do bilhete enviado, mais uma vez, Biá provou o potencial que tem em letramento e alfabetização, pois mostra a todos a desvinculação com o compromisso em escrever o documento científico.
O povo se sentiu traído, mas para Biá não foi traição, porque ele nunca acreditou que o Dossiê fosse proibir a construção da barragem. Fica provado que as impossibilidades de Biá em escrever não foram apenas as divergências das histórias, mas por não acreditar que a escrita seria uma forma  de salvar Javé. Junto com as águas chega também o sofrimento de Biá, pois ele chora quando vê Javé inundada.
A partir daquele momento, o Dossiê tem outros olhares por parte do escritor, pois passa a vivenciar de perto o surgimento da história, ele sendo coautor de todo processo de construção. Entendemos que:

“Há que se ter clareza sobre a relação existente entre o acesso aos conhecimentos (produzidos por todos e, portanto, direito de todos) e a construção da cidadania. A amplitude e a consistência da identidade de cada um como cidadão é que lhe permitirá atuar de forma a, mais ou menos, considerar a amplitude e a consistência da identidade e do papel social dos outros. Esse (re)conhecimento conferirá à prática uma dimensão séria e necessária à produção de homens que se relacionem histórica e socialmente.”(Sonia Kramer)

Finalmente, entende-se que a capacidade de absorção (letramento) é que favorece o caminho para a produção (prática de alfabetização) composta de significados e que verdadeiramente funda a linguagem. Portando, Biá exerce o direito de pessoa alfabetizada e letrada, usando de todos os direitos e prepara a partir daquele momento a história de Javé. O escritor mostra que vivenciando os acontecimentos tem capacidade e faz renascer para o povo o valor do conhecimento escrito. Fica claro para todos que divisa cantada não tem validade e o que valida de fato a realidade é o documento.
Biá serve de exemplo para o povo de Javé que passa a entender que uma população analfabeta não tem respeito, nem direito.

4 A NECESSIDADE DO LER E ESCREVER PARA OS MORADORES DO VILAREJO DE JAVÉ

De forma prioritária, leitura e escrita estão ligadas às necessidades dos moradores do Vale do Javé, visto que associa-se a situação de isolamento do Vale a mais cidades baianas, ela torna-se uma espécie de cidade e estado ao mesmo tempo, com suas próprias leis inspiradas em seus costumes. Mas esse isolamento não é prejudicado até o momento do choque, apresentado pela construção da barragem, a qual deixa o povo de Javé sem horizontes e não vê outra solução a não ser no carteiro que possui as habilidades letradas e que, de “vilão” passa a ser o “herói”, numa tentativa frustrada em salvar a Vila das águas da represa. O contraste reflete, portanto, o conflito entre o “saber ler” e o “ saber escrever” e a inserção de uma nova necessidade dentro de uma sociedade isolada e suas consequências, toda mudança repentina em um grupo social causa certo confusão na organização dessa sociedade. A necessidade da aprendizagem do ler e do escrever do povo do Vale do Javé envolve um círculo de elementos no qual a educação escolar deveria dar suporte na construção do conhecimento. O ensinamento histórico é a principal característica que o povo do Javé tem de forma falada, como as terras demarcadas por palavras e a necessidade de escrever sua própria história. Para que o povo do Javé aprenda a ler e a escrever seria preciso que o governo fornecesse subsídios à sociedade do Vale para que com a educação básica pudesse construir e elaborar uma filosofia de vida e aprimorar conhecimentos. Para os moradores a escrita e a leitura são a única forma de mensurar o valor das terras do lugar, sendo passado para o papel o conhecimento e imortalizar o passado histórico de seu povo, tendo como fonte o conhecimento que é o meio mais poderoso de se comunicar. Proporcionando, assim, tesouro histórico de forma escrito e favorecer ao mundo possibilidades de saber o valor das terras para a comunidade do Vale do Javé.

5 FRONTEIRAS QUE IMPEDIRAM ANTÔNIO BIÁ DE PROPORCIONAR PERSPECTIVAS AO POVO DE JAVÉ

O personagem, Antônio Biá, seria a solução encontrada para salvar o povoado do Vale de Javé, pois era o único habitante da comunidade que sabia ler e escrever, porém ser alfabetizado não lhe serviu muito para ajudar o sofrido povoado, já que segundo Ferreiro & Teberosky (1999, p. 105) “a influência do fator social está em relação direta com o contato com o objeto cultural ‘escrita’”.
Durante o filme, tornou-se perceptível que Antônio Biá não possuía conhecimentos socio-históricos da comunidade, o que lhe afastava ainda mais da problemática em que se encontrava o povoado. A falta de conhecimentos da história do lugar, seu patrimônio e as reais necessidades dos moradores do povoado lhe distanciava do sentimento de ser necessário agir e tentar ao máximo buscar uma solução para o problema enfrentado por todos. Seus conhecimentos de leitura e escrita não foram suficientes para compreender a sua importância naquele momento, pois lhe faltava letramento, ou seja, envolvimento com o convívio cotidiano da comunidade.
Outro fator que atrapalhou Antônio Biá de proporcionar melhorias a Javé foi o fato de que ele não acreditava na ideia proposta pelos moradores do local. Mesmo assim se viu forçado a fazer o que lhe propuseram, devido aos maus feitos em que tinha envolvido a comunidade com sua astúcia e meios utilizados para salvar o seu emprego de carteiro num passado não muito distante.
Ressalta-se ainda um grande obstáculo por Antônio Biá ter sido um sujeito individualista, que pensava apenas em si próprio e no que lhe favorecia, não tendo convívio integralizado e nem pensamento comunitário em prol de todos, o que dificultou o empenho em abraçar a causa e tentar pelo menos cumprir com sua parte na história e buscar resolver o problema enfrentado pela comunidade.
Mais uma dificuldade encontrada por Antônio Biá foi o fato de registrar no papel a história de Javé contada oralmente por seus moradores, pois cada pessoa que contava a história, relatava da forma que lhe convinha, tornando os seus parentes antepassados heróis na construção do povoado, o que confundiu a cabeça de Biá, no sentido de não saber de fato qual história contada seria a verdadeira e que pudesse comprovar cientificamente o patrimônio histórico e sua importância naquela comunidade.
Ferreiro & Teberosky (1999, p. 285) afirmam que:

“[…] a língua escrita não é uma simples transcrição da língua oral e que há marcantes diferenças entre uma e outra. E ainda que a língua escrita tem termos que lhes são próprios, expressões complexas, um uso particular dos tempos dos verbos, um ritmo e uma continuidade próprios.”

Salienta-se o quanto é difícil escutar algo de alguém e transcrever para o papel, ao qual se faz necessário escutar diversas vezes para seguir fielmente os termos próprios da língua escrita e foi justamente a escuta das histórias do povoado contada por cada pessoa que lá morava em diferentes versões que dificultou a escrita do documento proposto a Antônio Biá.
Percebe-se então que a alfabetização no sentido de saber ler e escrever de modo mecânico e restrito não condiz com uma alfabetização capaz de nortear uma prática de leitura e escrita, tendo como base o contexto social em que se está envolvido, dando sentido ao que se vive em seu cotidiano, ou seja, é contextualizar o ensino sistematizado com a vida cotidiana do ser, acontecendo assim a alfabetização e o letramento.
É o que afirma Magna Soares,” letrar é mais que alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida[…]” Diante disso, compreende-se que a maior fronteira enfrentada por Antônio Biá foi não ter conhecimentos sobre a história de Javé e nem ter vivenciado essas histórias.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo teve por finalidade demonstrar que as noções de letramento e alfabetização expressam uma compreensão de sentido capaz de serem vivenciados de forma contextualizada através da ação de personagens em diversas histórias de mundo, e que ocorre uma interação necessária entre um ser letrado e um ser alfabetizado, ou para melhor entender, o verdadeiro cidadão necessita das duas habilidades para conseguir se ajustar a esse mundo de múltiplas necessidades.
A construção deste gênero textual contou com uma pesquisa bibliográfica que auxiliou sobre a reflexão ampliada do entendimento da alfabetização e do letramento voltados as ações dos personagens do filme: “Os narradores de Javé”. Mas para conquistar o domínio da compreensão e da identificação se fez necessário, não só as leituras, mas também a repetição do vídeo por inúmeras vezes. Os casos vivenciados mostram o quanto é importante ser escolarizado com habilidades necessárias e conquista competente de uso dos saberes adquiridos. Como afirma Magda Soares, “(…) levam o indivíduo a um outro estado ou condição (…)”
Por isso, essas informações presumem que se perceba o valor da leitura e da escrita na construção de valores sociais, históricos e humanos, e que venha a despertar olhares para a importância da educação nos desafios, dúvidas, e interrogações da atualidade.
Portanto, acredita-se que essas informações vão contribuir para uma reflexão mais profunda de todos aqueles que terão, de uma forma ou de outra, responsabilidades específicas na formação de novas gerações. Quem sabe todos aqueles que se dedicam ao ofício de informar poderão contribuir, de alguma forma, para que o mundo não seja bom apenas para alguns, mas melhor para muitos e só o conhecimento, através do letramento e da alfabetização, tem o poder de favorecer ao homem liberdade plena e possibilidades de lutas iguais.

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