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31 de Enero del 2010
Sophia de Mello Breyner Andresen no ensino secundário: proposta de abordagem aos Contos Exemplares

BOLETÍN  REDEM
Uma análise dos Contos Exemplares ao nível do Ensino Secundário passa pela realização do contrato de leitura sugerido pelo Ministério da Educação. Caso o/s aluno/s acorde/m com o professor o estudo desta obra, o cumprimento do contrato estabelecido implica a leitura do texto integral por parte do/s aluno/s. Ao professor caberá disponibilizar-se para ajudar o aluno a ultrapassar as dificuldades com as quais se for deparando à medida que for progredindo na leitura. A sugestão de materiais de apoio, ou a elaboração de uma ficha de verificação da leitura constituem actividades correntes neste nível de ensino. A nossa sugestão será, talvez, um pouco mais ambiciosa, mas de fácil concretização. Propomos um estudo comparativo entre Os Contos Exemplares de Sophia de Mello Breyner e as Novelas Exemplares de Cervantes. Os elementos de comparação utilizados são essencialmente dois: a questão do exemplum e as marcas da oralidade.

É possível estabelecer um paralelismo entre Os Contos Exemplares de Sophia Andresen e as Novelas Exemplares de Cervantes não só pela semelhança temática que os títulos sugerem como também por Sophia ter utilizado nos seus contos o "Prólogo al lector" que Cervantes havia já introduzido na sua obra Novelas Exemplares. Particularidade, esta, que despertou desde o primeiro minuto, a curiosidade dos docentes e mais tarde dos seus alunos.

Uma interligação tão estreita entre duas obras, separadas por vários séculos, suscitou-lhes uma enorme vontade de pesquisarem dados relativos aos autores, respectivas obras e épocas em que se incluem. A intertextualidade estabelecida para além de ser sempre extremamente enriquecedora permite igualmente cativar os alunos para outros textos. Permite-lhes, nomeadamente, compreender que a literatura é uma forma de arte, mas é também um fabuloso instrumento de análise sociológica uma vez que nos permite compreender os hábitos culturais, a forma de vestuário, os hábitos sociais, as correntes de pensamento e as políticas vigentes numa determinada época histórica.

É fundamental que os jovens percam os preconceitos relativamente ao texto escrito. A primeira fase passa por uma estratégia de motivação externa (por influência do professor ou de um familiar ou amigo). Se esta for bem sucedida o jovem vai ganhando gosto pela leitura. A estratégia externa apenas tem relevância se desencadear nos jovens uma motivação pessoal para a leitura.

Propusemos uma leitura dos Contos Exemplares baseada nos exempla que neles íamos identificando. O facto de Sophia Andresen se ter proposto a contar histórias que intitula, desde logo, de exemplares à semelhança do que Cervantes havia feito, chamando de exemplares as suas novelas é, no mínimo, curioso. Sobretudo se considerarmos que Sophia o faz numa altura em que a literatura parece querer distanciar-se das questões relacionadas com os valores da moral católica. É precisamente neste contexto que Sophia Andresen cria e publica um conjunto de contos que intitula de exemplares e relativamente aos quais arriscamos afirmar que a mensagem neles contida não se perde independentemente da época em que forem lidos. Estes contos constituem, em nossa opinião, um sinal de alerta para a importância de se recuperar uma cultura que tenha como ponto de vista os valores. Não nos referimos aos valores da moral católica uma vez que consideramos que dispomos de uma panóplia de valores suficientemente vasta pelos quais nos podemos pautar. O que importa é que estes sejam passados às gerações mais novas. Pedro Stiwell dá-nos conta num artigo que intitula "Uma atenção virada para fora" da seguinte preocupação de Sophia "Queria que se salvaguardasse a sua preocupação de sempre de não invocar o nome de Deus em vão". Neste mesmo artigo Sophia lembra-nos um dos seus poemas "Sinal de Ti". Nele, a invocação de Deus parece ser simultânea à recusa de circunscrever a Sua presença. Talvez Sophia tenha momentos em que duvida profundamente da sua fé, mas o que nos parece inequívoco é a sua ânsia pela justiça. O que Sophia nos revela em muitos dos seus contos não é mais do que uma forma de denúncia relativamente aqueles que "invocam o nome de Deus em vão", mas não conhecem o verdadeiro sentido da fé.Esta constatação da realidade efectuada pela autora é partilhada por D. António Ferreira Gomes como é, aliás, bem visível no prólogo à obra Contos Exemplares através de expressões como as que passamos a citar "caminhando sem Deus nesta vida".


                    

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   Por: Elsa Martins
            Miembro Consultor REDEM en Portugal