O Dr. Cláudio Guedes nos comentários do artigo anterior fez uma observação interessante. "Sugestão: o que fazer, e de forma prática, com os nossos medos?"
Os medos promotores de comportamentos e atitudes típicos na espécie humana, parecem ilimitados. Sua diversidade caracteriza-se por diferente capacidade de resposta ao meio, que, às vezes, fantasiosamente, nos agride.
O medo pode ser real ou fantasioso. É real quando existe causa (s) real que pode nos amedrontar e, em conseqüência, provocar mudanças de comportamento. Acontece quando nos conscientizamos da realidade existente e, racionalmente concluímos que o perigo é um risco que devemos ou não enfrentar.
Como exemplo, lembramos os assaltos e os crimes ocorridos nas cidades. Podemos, então, preservar nossa vida e não saindo de casa à noite e construir muralhas e grades para proteger nossa casa. Criamos arsenais bélicos de acordo com as dimensões do medo que nos ameaça.
Com a descoberta do medo real podemos elimina-lo, se o desafio não ultrapassar nossa capacidade de resposta.
No medo fantasioso deve-se "concordar com o vidente a respeito da veracidade da visão". A defesa subjetiva do fato, às vezes, promove construtivos e acirrados debates. Não existe causa real que dê origem ao medo fantasioso. Como exemplos citamos situações comuns, como: medo de cemitério à noite, medo de fantasmas, etc.
O medo de agressões de certas doenças mentais parece real ao paciente. Para esse tipo de pacientes sugerimos consultar especialistas no assunto.
Como podemos colaborar com os interessados nas soluções de semelhantes problemas?
Há possibilidade de apresentar causas que podem desencadear o medo fantasioso? Após reflexões, concluímos que o medo real é, também, promotor de medos fantasiosos. Nesse meio incluímos, de modo particular, a família.
O Dr. Egídio Vecchio, PhD dizia em suas aulas que "até os cincos anos de idade, a criança é mais intuitiva, que todo o nosso grupo junto".. Os familiares ocupam espaço mais importante na vida da criança..
Acreditamos que a força e o magnetismo, principalmente, da mãe, exercem poder primordial na estruturação do futuro dos filhos.
O olhar, o sorriso e o aconchego da mãe são estímulos não-verbais. Dependendo do clima reinante, a criança pode captar aceitação ou rejeição.
A capacidade ilimitada de evoluir do ser humano merece atenção especial, para alimentarmos esperança e certezas de relacionamento mais saudável, e coragem para superar os desafios que se apresentam.
É possível abrandar a programação do medo e diminuir a força e a resistência dos medos existentes?
Julgamos de capital importância para abrandar a resistência dos medos, a adoção de técnicas de trabalho voluntário em benefício dos mais necessitados. É despertar para servir.
Torna-se indispensável suavizar a ganância de poder e a ânsia de consumo. O desejo insaciável de aparecer e de estar dentro dos padrões sociais promove dependência subjetiva e social. O egoísmo torna-se fonte de água suja que contamina a comunidade.
Propomos reflexão e debates sobre situações diversificadas, que podem originar medos. Lembramos que a criança é sensível às reações dos adultos, principalmente, daqueles que com ela convivem. A segurança no lar é exigência fundamental para uma convivência saudável e um futuro libertário do excesso de medos.
Dentre as possíveis causas promotoras de medos, cumpre-nos salientar:
1) SOBREVIVÊNCIA.
A água que bebemos, o ar que respiramos e os alimentos que consumimos afetam e debilitam nosso sistema nervoso. A poluição atual é forte e afeta todos os campos da convivência humana..
2) CONCEPÇÃO.
O estado emocional do casal no momento da concepção é transmitido ao feto. Citamos, principalmente, insegurança, medos e rejeição.
3) GESTAÇÃO.
A carência de paz, de segurança, de afeto, de apoio e a presença de insatisfação, de estímulos negativos, de músicas negativas e agressivas, de clima agressivo e desqualificador, medo generalizado, momentos de rejeição da gravidez, etc. podem implantar medos no feto.
4). NASCIMENTO.
Ao nascer, o bebê depara-se com muitas expectativas, principalmente da família. O olhar, o aconchego, o abraço, sobretudo, da mãe, podem marcar o futuro do filho. A mãe pode transmitir-lhe medo e insegurança.
5) CLIMA DE DENSIDADE.
a) A densidade física estabelece o espaço reservado à família ou a pessoas. Às vezes, um espaço de dez metros quadrados abriga doze ou mais pessoas. Os comportamentos são muito diversificados e os modelos afetam o futuro da criança. E a dinâmica do modelo é forte e conduz a alterações de comportamentos.
b) A densidade psicológica impede a manifestação do próprio modo de pensar e de sentir. A submissão irracional pode acontecer e o medo também..
6). VIVÊNCIA DOS ESPAÇOS VITAIS.
a) O Espaço Vital Impermeável fomenta o fechamento ao encontro e ao diálogo. Eliminam-se o afeto e o aconchego É séria caminhada na produção de insegurança e medos.
b) O Espaço Vital permeável resulta de um convívio sem sentido. Torna-se a confusão generalizada. A capacidade de amar e de encontros construtivos fica limitada.
7) CLIMA FAMILIAR.
Clima familiar impositivo e amedrontador pode implantar no lar um clima negativo onde o desrespeito e a insegurança proliferam. E os medos tornam-se preocupantes.
8) VALORES OBSERVÁVEIS.
A ausência de valores positivos no lar pode acarretar insegurança e medos porque é ambiente carente de referência comportamental e vivencial. Os valores são força dinâmica de mudanças de cultura.
9) FORMAÇÃO DO EU.
A subjetividade é a capacidade de ser autêntico e de expressar o que se pensa e se sente, sem submissão irracional. A obtenção de tais resultados é caminhada árdua, porque na educação predomina o uso de paradigmas externos. Os paradigmas externos são produtores de medos.
10) NARRAÇÃO DE HISTÓRIAS.
O conto de histórias negativas em família, onde ainda se fala de um deus poderoso, severo e castigador, de bruxa perigosa, de fantasmas da escuridão e a propagação de livros e filmes de terror, estruturam clima de pavor para as crianças.
CONCLUSÃO.
Nossa capacidade para desenvolver as potencialidades humanas parece ilimitada. A propósito, recordamos a orientação do vô índio ao neto.
O lobo que for alimentado sobreviverá. Se nas famílias vivenciarmos a harmonia, o respeito, a capacidade de ouvir, a empatia, a partilha, o perdão, o desejo de ser feliz e de fazer os familiares felizes, a colaboração, o amor, etc. estaremos alimentando o lobo bom.
O lobo mau promotor de medos, da insegurança, da rejeição, dos desencontros, da traição, dos conflitos, das condenações, etc. estará subnutrido e suas energias limitadas pelo vigor do lobo bom.
Compete à família alimentar e ampliar as forças do lobo bom. Parece tarefa, relativamente, fácil e acessível. Fomentar e promover a humanização dos humanos é característica de autênticos líderes, libertos de apegos desumanos e de egoísmo sufocante.