O interesse dos jovens pela cultura e pela língua francesa tem vindo a diminuir nos últimos anos em Portugal. A escolha de uma segunda língua recai, não raras vezes, na língua inglesa ou na língua espanhola. Os jovens adolescentes consideram a língua francesa uma língua pouco motivadora e a França, um pais com pouco interesse. Sabemos que nada pode estar mais longe da verdade, por isso, consideramos essencial que os professores promovam acções de sensibilização para a língua e a cultura francesas. Consideramos que a dinamização de sessões nas escolas do 1º Ciclo pode ser uma das formas de angariar futuros falantes da língua. Consideramos igualmente pertinente que as aulas de francês sejam aulas que se aproximem da realidade, ou seja, os níveis de língua utilizados devem estar em concordância com o contexto ficcionado.
O professor deverá planificar as suas aulas tendo sempre em conta conceitos oriundos da didáctica e da pedagogia de modo a contribuir para o desenvolvimento de competências do aluno, mas também para o seu desenvolvimento psicossocial. O docente deverá ser possuidor de um pensamento crítico que lhe permita analisar as propostas do manual e a não as adoptar sempre que não as considere susceptíveis de serem aplicadas no grupo/ turma. Uma língua que veiculou durante séculos o que de melhor se produzia ao nível do pensamento, das artes e das ciências tem de ser divulgada e acarinhada e não remetida para segundo plano. Sugerimos que os docentes deverão desenvolver o seu espírito crítico relativamente aos manuais do ensino do francês. Por outro lado, deverão ter o cuidado de utilizar os diferentes registos de língua e sempre de forma adequada ao contexto de modo a que os alunos adquiram um vocabulário vasto e adequado quer à oralidade quer à escrita.
Um outro aspecto que nos parece importante salientar é a planificação anual que deverá ser efectuada no início de cada ano lectivo. Esta planificação deverá não só apresentar a distribuição dos conteúdos a leccionar em cada um dos períodos como as actividades a realizar ao longo do ano com os objectivos que lhes estão subjacentes. Não defendemos a naturalidade inerente a cada aula, aliás consideramos que a melhor aula é sempre aquela que resulta. Muitas vezes a melhor forma de aferirmos a competência pedagógica de um docente é a sua capacidade de resposta a questões colocadas pelos alunos e a posterior capacidade de integrar a questão formulada nas linhas orientadoras que havia delineado para aquela mesma aula.
O que defendemos são as vantagens não só da planificação como a divulgação da mesma a todos os intervenientes no processo educativo, já que esta beneficia todos os elementos da comunidade escolar, a saber: para o aluno é importante na medida em que este passa a saber o que está a fazer, porquê e para quê; Adquire hábitos de organização (apercebe-se da organização do professor); Intervém activamente na realização do trabalho, reflecte, discute, propõe soluções, reformula com o professor o trabalho programado; Tem consciência do seu próprio progresso; Auto - avalia-se comparando o que realiza e o que estava programado realizar.
Para o professor é importante na medida em que este passa a organizar o trabalho verdadeiramente em função do papel formativo da disciplina; Reflecte sobre os conteúdos e métodos de trabalho e materiais mais adequadamente à aprendizagem; Controla e faz ajustamentos permanentes de acordo com as necessidades e interesses dos alunos; Distribui o tempo lectivo de acordo com as metas de aprendizagem que pretende atingir; Organiza as suas actividades não lectivas em função de critérios de eficácia pedagógica; Participa activamente na gestão democrática da escola.
Para a escola a planificação efectuada pelos professores também é muito importante porque: Torna possível um trabalho consciente de todos os docentes; Permite uma distribuição mais eficaz do tempo, do espaço e das tarefas; Permite coordenação interdisciplinar; Torna as reuniões momentos de coordenação útil de trabalho e não uma perda de tempo; Torna possível uma gestão democrática porque todos participam, porque conhecem os problemas existentes e se empenham na sua resolução.
Para os pais é importante porque dá-lhes a possibilidade de saber o que os filhos aprendem, porquê e para quê; Podem acompanhar o trabalho dos filhos; Apercebem-se do empenhamento dos professores em realizar um trabalho de qualidade; Participam com mais consciência nas actividades que a escola organiza para os encarregados de educação; empenham-se em contribuir para estabelecer melhor relação família/escola.
Bibliografia:
ABDALLAH-PRETCEILLE, M., L'éducation interculturelle, Paris, Presses Universitaires de France, 1999.
ALARCÃO, I., A leitura como meio de desenvolvimento linguístico, Intercompreensão, 1, 1991: 53 - 82.
BAUTIER,E. et al., Lignes de force du renouveau actuel en didactique des langues étrangères, Paris, Clé International, 1986.
BESSE, H. e GALISSON, R., Polémique en didactique: du renouveau en question, Paris, Clé International, l980.