A "vida plena" é um processo, não um estado de ser. É ma direção, não um destino.
Carl Rogers
1 INTRODUÇÃO
É inegável a importância e consistência do legado teórico produzido por Rogers para o conjunto dos conhecimentos científicos nas áreas da Psicologia, Pedagogia e outros campos do saber onde a dimensão humana em suas relações intra e interpessoais são inerentes à sua compreensão.
No entanto, percebe-se um acentuado antagonismo entre as análises e argumentações teóricas de Rogers e as condições materiais de existência na sociedade na qual vivia e para a qual propunha a concretização de tais pressupostos teóricos.
Fica claro nos seus estudos que as suas principais premissas consideram um homem abstrato, a-histórico, descolado de uma dada realidade social. E, em outras palavras, não contemplam uma visão histórica e condições materiais da realidade social em que esse homem está inserido.
De fato, poder-se-ia afirmar ainda que a grande maioria das teorias e escolas psicológicas e pedagógicas apresentam essa inadequação em decorrência de que :
[...]o conhecimento científico é uma prática social e histórica , sabe-se que, no mundo ocidental capitalista, ele é sustentado sobre as bases intelectuais do Positivismo, que ao longo da sua própria história, tem negado esse caráter histórico e se afirma no mito da neutralidade, objetividade, adotando um critério de verdade em termos absolutos e universais (ADLER, 2002, p.89).
Somente as teorias e escolas psicológicas ou pedagógicas, com suporte teórico no Materialismo histórico, consideram as condições históricas e relações sociais como condicionantes do pensar e agir humanos, tanto individual como coletivamente.
Afirmam alguns estudiosos que a ciência é uma forma de consciência social, na qual a atividade do cientista encontra-se imbricada com a vida material da sociedade, tanto no sentido de reproduzir as condições objetivas e subjetivas vigentes, como no sentido de trabalhar objetivando a transformação dessas mesmas condições.
Neste ensaio, busca-se traçar alguns contrapontos entre os principais constructos teóricos que integram o escopo da obra de Carl Rogers, e a realidade histórico-social, na qual viveu e para a qual direcionou os resultados dos seus estudos.
Ressalta-se, ainda, que optou-se iniciar as reflexões propostas por alguns dados da vida pessoal de Rogers, por acreditar-se que essas condições também direcionaram seus interesses e motivações intelectuais.
_____________________________________________________________
* Psicóloga, Doutora em Ciências Pedagógicas, Mestre em Educação Especialista em Sociologia e Metodologia da Pesquisa em Psicologia, Cadeira Nº 1 do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão-IHGM e Professora da Faculdade Candido Mendes do Maranhão -FACAM.
*In: ADLER, Dilercy Aragão; COPPE, Antônio A. Favaro (orgs.) Carl Rogers no Maranhão: ensaios centrados. São Luís: Estação Produções, 2003.