Pai e filho deleitam-se com a fragrância das vibrações selvagens da floresta. Tudo convida ao silêncio interior e a afinar os sentidos para captar a variedade de cores e sons que a natureza oferece.
As árvores pelo maravilhoso perfume das flores e pela beleza encantam os visitantes. Ambos saboreiam o odor silvestre de um conviver pacífico.
Nessa contemplação algo estranho acontece. Prontamente, o pai explica: "é o barulho de uma carroça vazia e quanto maior for o vazio, maior será o barulho que produz". (do e-mail o Barulho da carroça. Autor ignorado) E um sábio analfabeto completa: "estamos cheios de um vazio profundo".
O vazio necessita de determinados ingredientes para suprir a sensação de nulidade total nos campos da convivência humana.
Como programamos a carroça nos meios sociais? O peso do vazio da carroça, atinge o campo educacional.
A família e a escola são vítimas prediletas das agressões barulhentas do vazio.
Quando o vazio agride?
1) O vazio do silêncio agride:
Quando vivenciamos o silêncio do vazio existencial? Somos escravos do vazio existencial quando nossa vida não tem sentido ou significado. Não conhecemos e nem sabemos porque existimos.
Quando nos sentimos meros objetos de lazer ou de vantagens alheias. Quando nos sentimos escravos da ganância do ter, do consumismo e da dependência das avaliações críticas e negativas da sociedade, etc.
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2) O vazio do silêncio da incapacidade de amar.
Quando nossa capacidade de amar é restrita ou reduzida a zero no trato com o ser humano.
Quando relutamos partilhar talento e conhecimentos Quando nos desviamos do outro. Quando recusamos andar de mãos dadas.
Quando o egoísmo domina o intelecto, o coração e os sentimentos do ser humano. Isso se traduz em instrumento eficaz de manutenção das distâncias.
Quando andamos em pedestal entre andarilhos. Quando sentimos prazer pelas desgraças alheias.
Quando impedimos avanços técnicos e educacionais na sociedade. Quando impomos nosso modo de pensar e de sentir.
3) O vazio do silêncio do egoísmo.
Sentimos o silêncio do egoísmo, quando construímos muralhas e grades e destruímos pontes.
Quando os outros são insignificantes. Quando aderimos a futilidades e consumimos os lucros e permitimos que os outros permaneçam ao relento...
Quando consentimos que carentes sobrevivam ao sabor do lixo disputado com ratos. Quando banalizamos o sofrimento e o desespero alheios.
Quando empregamos esforços para sermos o centro das atenções e silenciamos o abandono a que são relegados muitos humanos.
Quando negamos saciar a sede de muitos sedentos. Quando nos alienamos da realidade em que vivemos.
4) O vazio do silêncio da imposição.
O silêncio da imposição acontece: quando bloqueamos a liberdade de decisão com técnicas da imposição para a obtenção de comportamentos desejados.
Quando o rigor só é aplicável aos outros. Quando desenvolvemos o Ego e bloqueamos o Eu.
Quando impedimos a evolução pacífica do potencial humano. Quando promovemos avanços da ignorância, do analfabetismo e da violência. Quando estimulamos erros e defeitos pessoais e alheios.
Quando eliminamos a compaixão, o perdão e a misericórdia. Quando desqualificamos os outros.Quando banalizamos os graves problemas do mundo.
Quando praticamos, permitimos ou até fomentamos a violência. Quando permanecemos inertes perante carência de ética.
5) O vazio do silêncio dos estímulos.
O silêncio dos estímulos acontece quando adotamos estímulos negativos. Quando rejeitamos estímulos positivos.
Quando desqualificamos as descobertas dos outros. Quando vivenciamos o "coitadinho de mim". Quando aprovamos retrocessos educacionais e técnicos.
Quando permanecemos ausentes perante necessitados de nossa presença. Quando falamos nos momentos que deveríamos calar e ouvir.
Quando ignoramos a presença do outro. Quando atuamos com estímulos não-verbais.
6) O silêncio do vazio geral.
O vazio do silêncio apavora quando os bons se calam; quando a indiferença é virtude dos bons; quando a honestidade é fonte de ridicularização; quando a bondade é virtude dos fracos; quando o crime compensa; quando os lucros injustos são exaltados; quando o respeito é virtude dos impotentes; quando a amizade sustenta-se por interesses egoístas; quando os humanos necessitam dos exemplos da convivência dos animais para uma vida humanizada
A recuperação autêntica do silêncio educacional é exigência inquestionável para a construção de uma humanidade humanizada.
Uma caminhada honesta através do silêncio pode direcionar a descoberta de um encontro harmonioso, construtivo e feliz.
CONCLUSÃO.
1) O medo fantasioso paralisa possível eclosão do silêncio.
2) O medo da morte torna extático o silêncio do encontro.
3) O medo de previsão de uma sentença negativa pode detonar o silêncio violento.
4) O medo de um castigo pode assumir o silêncio conveniado.
5) O medo do escuro rompe o silêncio pela visão fantasiosa da noite.
6) O medo da própria incapacidade torna desespero o silêncio, possível promotor dos avanços humanos.
7) O medo de imposição, ameaças, restrições, injunções, etc. podem tornar o silêncio doentio.
8) O medo do apaixonado torna o silêncio aterrador.
9) O medo do governante é o silêncio que apavora pela perda do poder.
1O) O medo do corrupto é a quebra do silêncio dos amigos.