BOLETÍN  REDEM
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DESAFIO EDUCACIONAL DA CABEÇADA


       Ao completar dez anos de idade, meu pai foi encarregado  vigilante do rebanho de ovelhas de meu avô. No pasto havia  possibilidade  de ataques  felinos que poderiam provocar  mortes no rebanho.

       Pela manhã, abriam os portões do estábulo e o rebanho corria à procura de liberdade e alimento.

       A função de meu pai parece insignificante. Permanecia vigilante para impedir  a aproximação de algum perigo para os animais.

       À noite, o rebanho era conduzido ao estábulo à espera de um novo dia. Tarefa rotineira, mas sujeita a novidades.
       É importante salientar que  todas as manhãs ao despontar a liberdade, o bode comandante enfrentava um desafio.
       Após retrocesso "calculado", o bode parte com velocidade na direção de uma árvore. Nela aplica forte cabeçada.
       Esse ato repetitivo permitiu que meu pai questionasse  a mania exótica do bode.

       Assumiu a decisão reflexiva e sinistra de colocar um prego na árvore justamente no local específico da cabeçada do bode.
       Assim aconteceu. Para solucionar rapidamente o problema, meu pai limou a cabeça do prego. Tornou-o pontiagudo e penetrante.

       Os portões abriram-se. Meu pai sente o sangue congelar. Afinal, era o animal de estimação  de meu avô.
       O bode consegue velocidade. A morte está iminente. Meu pai estremece. Lá está o animal caído, impotente para novas cabeçadas.

       Infelizmente, o bode dera muitas cabaçadas no mesmo lugar. Não houve aprendizagem. Parecia saborear o sabor da vaidade aplaudida. Sua resistência física tornou-se  motivo de comentários e de aplausos de toda a bicharada.

       As atitudes diárias não se alteram. Dificuldades e problemas permanecem. O retrocesso da convivência continua acelerado.
       Muitos humanos ofuscam a sociedade através de "brilhantes" cabeçadas. Conquistam simpatia e admiração de desocupados, "apoltronados" e indiferentes à dor pessoal e social das cabeçadas.

       O campo educacional parece propício para cabeçadas. As preocupações  com a evolução da convivência humana denunciam paradas pelo caminho.

       As cabeçadas sucedem-se. Banalizamos e, às vezes, exaltamos cabeçadas de quem dificulta a convivência humana.
       A grande cabeçada universal e  com abrangência total é a contaminação progressiva e gravíssima  da natureza com a deteriorização do meio ambiente.

       As consequências  do caos generalizado previsível para reduzido número de humanos, manifesta-se altamente preocupante. A maioria dos atingidos pelo desastre sofre cabeçadas que, muitas vezes, matam. E promotores das grandes cabeçadas não sofrem.  Surgem como salvadores de um mundo quase desfalecido.

       A compaixão e a dignidade respeitosa necessitam de reforço. Para muitos, o outro representa insignificância perante a "grandeza" da corrupção, do poderio bélico e financeiro.

       O sofrimento de uma sociedade combalida e o extermínio de seres humanos carentes de tudo simbolizam, talvez, a vitória da inteligência brutal, da sagacidade patológica, do embrutecimento das emoções e do aniquilamento de nobres sentimentos.
       Hoje se apela para o exemplo de animais. Afirmam que se pautássemos nossa convivência no modelo vivido pelos macacos e por outros, seríamos humanizados.

       Ocorre-me fato interessante de minha juventude. Quando recordo o acontecido, minhas emoções são atingidas.
       Minha família criava na fazenda animais para o abate. Os mais importantes para nossa sobrevivência eram  bois e  porcos.
       Para sustenta-los plantava e colhia alimentos. Ao plantar o milho, os macacos retiravam os grãos enterrados que lhes serviam de sustento.

       Escalam  um vigia para dar alarme à tropa que coletava o milho, se algum perigo viesse a ameaçá-los.
       Aproximei-me. Não fui percebido. Disparei tiros. Regressaram, rapidamente, à mata. Silêncio total. O vigia foi "contemplado" por violenta surra. Havia dormido.

       Entrei na mata. Entre  galhos de árvores, escondia-se uma macaca com filhote ao colo. Apontei a espingarda, ameaçando  atirar. A mãe aconchegou o macaquinho ao peito.Transmitiu-me a impressão de despedida. E com as duas mãos apresentou-me o filhote. Parecia-me implorar compaixão.

       Muitos jovens são assassinados  sem  consideração e sem compaixão. Há humanos que esqueceram a própria identidade. Os sentimentos de compaixão e de perdão sumiram do cardápio diário.

       Permanecemos rigorosos no julgamento do outro. O egoísmo aniquila a afetividade e a presença amiga. Conhecemos a realidade, mas nem sempre  partimos para mudanças.

       O bode morreu. Aquela árvore fora "contemplada" por muitas cabeçadas, carentes do menor sentido.
       A indiferença e a apatia dos companheiros aprovavam as cabeçadas. Não criaram  clima favorável à reflexão. Permitiram que houvesse muitas cabeçadas no mesmo lugar sem análise das causas provocadoras do "fenômeno". Não houve análise do acontecido.
       Há educadores que repetem cabeçadas no mesmo lugar e motivados pelas mesmas causas. Algum engraçadinho poderá colocar um prego pontiagudo justamente no local das cabeçadas.

       A teimosia de cabeçadas inconsequentes promove desequilíbrios na promoção da capacidade evolutiva, intelectual e emocional do ser humano.

       Se lhe acontecer alguma cabeçada, permita-se  breve reflexão.É importante avaliar as causas e possíveis consequências de uma reação. A conscientização de  acontecimentos e a criação de novas ideias promovem visão ampliada e regeneradora da convivência humana.

       Educador, encante aos desencantados com as cabeçadas desalentadoras, e promova encantos educacionais que possam encantar desalentados na busca encantadora de encantos

                                   Para pensar e debater

01)        Que pensa das cabeçadas humanas na convivência diária?
02)        Como analisar as cabeçadas do bode?
03)        Como imagina a grande cabeçada que está destruindo a natureza?
04)        Como avaliar uma cabeçada?
05)        Por que as cabeçadas produzem tantos prejuízos?
06)        Como tirar vantagens positivas de cabeçadas?
07)        Como abrandar a produção de cabeçadas?
08)        Que pensa da macaca na defesa de seu filhote?
09)        Como atuar na escola para evitar cabeçadas?
10)        Como atuar na comunidade para que as cabeçadas tenham bons resultados?
11)        Como evitar cabeçadas na família?
12)        Como retirar da empresa os fabricantes e promotores de cabeçadas?

       

15 de Setiembre del 2009
   Por: Antônio Luiz Bianchessi
            Miembro Consultor REDEM en Brasil