As alterações que se efectuaram na sociedade nas últimas décadas e as consequências que se verificaram na escola implicaram um conjunto de exigências aos professores. A necessidade de respostas a todas as solicitações que lhe são efectuadas num período de tempo diminuto causa muitas vezes uma sensação de ansiedade que ao se repetir pode provocar o stress.
Propomo-nos, num primeiro momento, compreender o que se entende por stress. Trata-se de um conceito complexo uma vez que este reúne dois aspectos fundamentais: o estímulo e a resposta. Segundo Caplan (1981) o stress resulta de uma acentuada discrepância entre o que é solicitado ao indivíduo e a capacidade de resposta do organismo a esse mesmo estímulo.
Consideramos que o grande problema não reside no facto do indivíduo ser submetido ao stress na medida em que ele faz parte dos mecanismos do ser humano, o que é preocupante é o grau de stress a que este é submetido. O facto de se estar sujeito a uma dose moderada de stress até é benéfico uma vez que este aumenta os níveis de alerta do indivíduo e leva-o muitas vezes a atingir níveis de desempenho bastante mais elevados.
O síndrome de burnout que parece afectar principalmente os profissionais que desempenham cargos de atendimento directo ao público: professores dos diferentes ciclos de ensino, profissionais da área da saúde, (…) manifesta-se essencialmente pela falta ligação/interesse do profissional à sua actividade profissional. Segundo Maslach e Jackson o síndrome supracitado mais não é do que uma falta de motivação que vai sendo sentida pelo profissional, esta vai evoluindo gradualmente até dar lugar aos sentimentos de fracasso.
A exaustão emocional e o sentimento de não realização pessoal leva muitas vezes a que o sujeito se sinta incapaz de realizar as suas tarefas e se auto-avalie de forma negativa. A baixa auto-estima profissional pode ser gerida de modos diferentes consoante as experiências de vida significativas (positivas e negativas) experienciadas pelos sujeitos. Um indivíduo cuja vida profissional pode não estar a desenvolver-se da forma como ele esperaria, mas que em termos da sua vida pessoal ou social viveu momentos significativos positivos, possui "uma reserva" de auto-estima que vai conseguir canalizar para os fracassos vividos na profissão. Assim, a crise vivida na vida profissional será mais facilmente ultrapassada do que o fará um indivíduo cujo auto-conceito seja fraco nos diferentes papéis que desempenha.
Felícia Gameiro identificou na obra Factores de constrangimento nas práticas educativas no jardim-de-infância (2004) aqueles que considera serem os principais factores de stress nos educadores de infância, a saber: o significado pessoal da profissão, os percursos profissionais, as famílias das crianças, a marginalização social e as estratégias de acção. Este estudo baseou-se na sua experiência profissional e no trabalho que desenvolve enquanto investigadora. Para obter todas as informações de que necessitava para caracterizar a sua amostra aplicou inquéritos e entrevistas aos docentes envolvidos. Diz-nos ainda a investigadora que os factores de stress por ela identificados dizem respeito à forma como o educador vive a relação com as crianças, com as famílias e com o meio envolvente.
Os educadores consideram que o trabalho por si desenvolvido não tem um valor social acrescido e, por isso, só conseguem encontrar significado para o seu trabalho a partir de motivações centradas em si próprios e não no reconhecimento dos agentes sociais para quem trabalham. A investigadora abre uma excepção para as crianças uma vez que são elas que justificam a emoção com que os educadores falam da sua profissão.
Enquanto profissional e também enquanto investigadora revejo-me nas palavras da autora, já que muitos dos professores não vêm o mérito do seu trabalho reconhecido pela sociedade, o que poderá contribuir para o surgimento do síndrome de burnout. A minha sugestão assenta num trabalho devidamente planificado e divulgado à comunidade escolar. É importante que os alunos conheçam as planificações existentes assim como os pais/encarregados de educação de modo a que compreendam que os professores trabalham para responder às suas necessidades cognitivas, para diagnosticar e direccionar eventuais casos de dificuldades de aprendizagem, problemas sociais ou comportamentais para os profissionais destas diferentes áreas do saber.
Toda a disponibilidade profissional dos docentes deve espelhar-se num Projecto educativo que se quer claro e exequível de modo a constituir um cartão-de-visita das ofertas que a escola proporciona aos alunos que a frequentam.
Bibliografia:
GAMEIRO, Felícia, Factores de constrangimento nas Práticas Educativas no jardim de infância (2004), Ed. Cosmos, Chamusca.
MASCLACH,C., JACKSON,S. (1981), The Measurunment of Experienced burnout , journal of Occuptional Behavior.
Elsa Martins