A comunicação é um instrumento indispensável a todo e qualquer docente, saber comunicar é, aliás, uma aptidão essencial a quem se quer relacionar com outrem. É através da comunicação que se estabelece a relação pedagógica, sendo múltiplas as variáveis que interferem na comunicação da aula e se manifestam a nível disciplinar. Uma das variáveis mais importantes é a gestão que o professor faz do espaço da aula. Diz-nos a investigação que o professor tende a utilizar uma posição fixa, capaz de lhe intensificar a comunicação com os alunos da frente, directamente situados no seu campo de visão, prejudicando, não raras vezes, a comunicação com os restantes alunos. As investigações realizadas por Leavitt (1951) salientam o facto de que para além da comunicação na sala de aula estar centrada no professor, predomina o discurso expositivo e interrogativo, que se sobrepõe às participações espontâneas dos alunos. A propósito da utilização sistemática da técnica interrogativa pelo professor, Leroy (citado por Postic, 1990) realizou um estudo no qual prova que a maior parte das perguntas feitas pelo docente é de tipo restrito e fechado, fazendo com que a intervenção do aluno seja breve. Acrescenta Postic (1990), que muitas destas perguntas apenas apelam à memória de conhecimentos anteriormente adquiridos, exigindo, assim, da parte do aluno uma única resposta. Situação passível de criar constrangimentos nos alunos, que ao não responderem, com medo de errar, se abstêm de participar. O professor deverá, assim, evitar a situação descrita através da exploração das respostas, ainda que erradas, apelando à participação do grupo/turma, de forma a levar o aluno a encontrar, construindo, a resposta correcta.
O docente raramente dirige as perguntas a todos os alunos, ao acaso, antes procura apelar aos elementos de quem esperará a resposta correcta. A este respeito Postic (1990) refere "…interroga um, é porque julga recolher uma má resposta que lhe permitirá intervir, para rectificar o erro que não convinha cometer e também para poder dar, em seguida, a palavra àquele que possui seguramente a resposta certa, mas ele restringe geralmente a possibilidade de falar àqueles que dariam demasiadas respostas inadequadas porque tornariam mais lenta, na sua opinião, a progressão da aula". Não raras vezes se assiste a reforços, positivos para os "bons" e negativos para os "maus" alunos, quando todos deveriam ser reforçados positivamente, em particular aqueles com maiores dificuldades.
Cabe, pois, ao professor perceber estes pedidos de ajuda, que o aluno formula através de sinais e intervir diferenciadamente em função de cada caso.