Estamos convictos e cientes da grave crise que avassala o universo e abala as estruturas fundamentais da convivência humanizada. Nem sempre temos noção aproximada de sua real dimensão. E para fugir de comprometimentos, apelamos para a ignorância e para a carência de inclusão social, na tentativa de minimizar a própria responsabilidade.
Acreditamos, também, que o desmantelamento da natureza descontrola o campo psicológica do ser humano. A área afetiva fica atingida seriamente. Se somos incapazes de preservar a natureza, principalmente, uma árvore, há possibilidade de enveredar por caminhos que levam ao desrespeito ao ser humano.
O estresse, a apatia, a reação lenta e descontrolada, o inconsciente coletivo que transmite a inconsistência da raça na defesa da natureza, o medo fantasioso, o desespero de muitos, a ausência de entusiasmo, a carência de sentimento e de compaixão podem promover tentativa de fuga da problemática.
O desafio do desequilíbrio do meio ambiente intimida. A conscientização da gravidade do problema leva-nos a sentir a impotência para enfrenta-lo. Tentamos, então, desqualificar sua força destruidora e minimizar as denúncias dos cientistas, que revelam a iminência dos acontecimentos.
Confirmamos que a ânsia de poder e a ganância de possuir bens materiais, a escravização dos menos favorecidos propagam a violência e o desequilíbrio mental e emocional. Tornamo-nos passivos e indecisos perante uma escolha que pode acarretar perdas financeiras.
Constatamos não só insensibilidade perante o sofrimento alheio, como também satisfação neurótica ao presenciar a dor até com derramamento de sangue humano.
Banalizamos desgraças e exaltamos comportamentos negativos e fúteis como modelos. Banalizamos desgraças e, muitas vezes, valorizamos seus efeitos através da indiferença e apatia.
Se não houver uma decisão consciente de enfrentar com força total a banalização da vida, estaremos envolvidos, rapidamente, no sabor da leviandade da desumanização.
Se convivermos, amigavelmente, com criminosos e corruptos, a curto prazo, poderemos assumir postura de indiferença ou de adoção de "valores" perversos, admirando e até exaltando a inteligência e a coragem dos envolvidos na desintegração da natureza e da humanidade.
A terra clama por socorro. O meio ambiente suplica por decisão global frente às ameaças de desastres que, em diferentes partes do mundo, já acontecem diariamente.
Temos a impressão de que o tímpano de experientes humanos se rompeu. Na realidade, o tímpano permanece perfeito. A audição está perfeita.
Acontece que o clamor de muitos atinge , com perfeição, somente o lado egoísta do tímpano, comandado pela ganância de possuir sempre mais. Prevalece sem lesão a audição relevante para os interesses pessoais.
Os gananciosos expoentes do consumismo neurótico, reativam a capacidade auditiva que lhes interessa, para satisfazer a paixão incontida de aparecer e despertar admiração. E o foco familiar e social pode ter outro direcionamento na busca de concretização de convivência humana saudável, na família e na comunidade.
A humanização da família, da escola, da comunidade e da sociedade compete ao educador. Reconhecemos que semelhante proposta, se encarada com seriedade, se torne o maior desafio dos tempos modernos.
Temos certeza que os transtornos e desarmonia reinantes têm sua origem na educação vertical existente.
Parece que a preocupação primordial da educação reside na formação técnica do educando. É indispensável a "formação técnica e específica para enfrentar os desafios da "globalização". E o educando poderá valer milhões se no futuro atuar com precisão milimétrica como profissional..
Acontece que o campo educacional que deveria atender e aprimorar a convivência diária, pode lançar as bases da desintegração humana para um possível convívio feliz.
Recuperar conhecimentos exige esforço, mas não acarreta tanta problemática. A dedicação ao estudo é indispensável. Tornar-se educado, porém, quando na infância e na adolescência não houve educação conscientizada e assumida, transforma-se em tarefa perturbadora e desafiadora.
Eric Berne psiquiatra norte-americano (1910/1970), criador da Análise Transacional, afirmou categoricamente: "Todos nascemos para sermos príncipes ou princesas e a educação nos faz sapos".
O príncipe deve brilhar pela cultura, sabedoria, pela educação e pela harmonia da convivência. Torna-se triste e pesaroso conviver com sábios sem educação.
O bicho sapo pula à cata de alimentos. Sua presença é desagradável. Vive temeroso porque pode tornar-se refeição para cobras.
O sapo é feio por natureza. Às vezes assusta, mas é importante para a manutenção e equilíbrio da natureza.
Tornamo-nos sapos quando "damos pulinhos" à procura de alguém que nos ampare e nos proteja, porque o medo fantasioso nos tira a segurança. Quando não temos coragem para criar um projeto em benefício da comunidade. Ou quando nos avaliamos melhores que os outros, e tentamos demonstrar valentia e coragem em defesa de nossa superioridade. Quando os outros são sempre responsáveis pelos erros que acontecem na comunidade e no mundo. Quando não aceitamos que alguém nos aponte defeitos.
É muito difícil conviver com sapos. Inclusive, ao entardecer, "canta" para demonstrar, talvez, força e poder. A voz grossa e forte aparenta grandeza física. É instrumento para amedrontar possíveis devoradores.
O "sufoco" do sapo parece "carroça, quando vazia produz barulho maior". A lubrificação dos eixos abranda o chiado. Por sua vez, a educação deve, também, "lubrificar" os atritos internos e externos da convivência humana e educacional.
Ressecamos os "eixos" da educação quando pretendemos educar através do barulho e de gritos. Com a imposição de normas, valores e determinações, o educador estaciona possíveis avanços da harmonia na realização humana.
Ressecamos a educação quando o educador se fecha na impermeabilidade e nega acolhimento ao educando. Quando o educador promove clima educacional negativo, através, principalmente, do fomento a estímulos negativos.
Lubrificamos a educação quando o educador atua através do amor, do perdão, da compaixão, do acolhimento, do abraço fraterno e facilita ao educando descoberta de valores transcendentes, com o uso contínuo dos estímulos positivos. Quando o educador estiver, culturalmente, preparado e, tecnicamente, treinado para o exercício da educação. Quando o educador tiver consciência da realidade e da cultura da juventude moderna, etc
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Para Refletir e Debater
- Como se apresenta a força do modelo na sociedade e no país?
- Como vivenciar os valores da preservação do meio ambiente?
- Como se manifesta o barulho dos eixos ressecados da carroça?
- Como abrandar a força negativa dos eixos ressecados na educação?
- Como descreve os eixos lubrificados na educação?
- Como movimentar seu grupo na preservação da natureza?
- Como agregar valores às ações comunitárias?