Num contexto em que os alunos lêem cada vez menos e pior, consideramos que a existência de espaços/tempos que possibilitem aos professores de português a oportunidade de partilharem experiências de ensino da língua são sempre desejáveis e necessárias. Afirmamos que os alunos lêem cada vez menos e pior em todos os ciclos de ensino porque lêem com enormes dificuldades o que lhes dificulta a compreensão do conteúdo dos textos. O hábito de ler adquire-se, à semelhança de outros hábitos que nos acompanham ao longo da vida, na infância, por isso destacamos o papel fulcral da família nesta matéria. Os primeiros anos de escolaridade são igualmente importantes na activação das competências da leitura e da escrita, consideramos que as competências não adquiridas neste ciclo de estudos muito dificilmente são remediadas, nos ciclos posteriores, apesar das actividades de diagnóstico e de remediação que se apliquem aos alunos. Pelo exposto, consideramos que o problema da leitura, ou da falta dela, não é só um problema da Escola é um problema social e passamos a explicar porquê: em primeiro lugar porque uma das causas de insucesso à disciplina de Português reside na falta de hábitos de leitura. Uma das causas mais apontadas para a recusa por parte dos jovens da leitura e dos livros é a oferta de actividades que a sociedade lhe oferece que são, em geral, muito mais apelativas para eles do que o livro. As novas tecnologias ocupam um papel cimeiro na vida dos adolescentes, substituindo-se ao contacto com o livro embora não à leitura, defendem alguns; não partilhamos este ponto de vista pois o que nos é dado a observar o uso das novas tecnologias direcciona-se essencialmente em duas vertentes: os jogos e a pesquisa de material (muitas vezes já elaborado) para a realização de trabalhos escolares. No ensino secundário não faz sentido concebermos a leitura como um acto mecânico, que nada acrescenta ao desenvolvimento global do jovem e muito menos aguça o seu espírito crítico relativamente ao mundo em que vive.
A rapidez na busca da informação que as novas tecnologias de informação oferecem é, obviamente, uma das razões do seu sucesso, no entanto, o facto da maioria das famílias portuguesas não ter ainda adoptado o livro no seu quotidiano é, seguramente, a razão pela qual os jovens não lêem. Apontamos duas razões que podem justificar este distanciamento das famílias dos livros, a saber: os livros são caros para a grande maioria dos orçamentos familiares e são, por isso, considerados objectos de luxo; o atraso cultural em que Portugal esteve mergulhado durante o período da ditadura, em que a educação era só para alguns, teve consequências que perduram até hoje no que respeita aos fracos níveis de escolaridade da população. Estas são as razões sociais que apontamos para a recusa dos nossos alunos à leitura, causas estas que ultrapassam em larga medida a instituição escola. A massificação do ensino propõe-se esbater as diferenças sociais/culturais existentes entre os jovens e só assim se pode percepcionar uma escola de massas em que a igualdade de oportunidades é uma realidade e não uma utopia, no entanto, o que nos é dado observar é que nos encontramos perante uma conquista que nem todos souberam/quiseram aproveitar.
A escolha do que as crianças e os jovens devem ler está longe de ser consensual entre os professores de Português, uns são adeptos incondicionais dos clássicos outros da literatura infanto-juvenil, porque segundo eles é mais motivadora para os jovens. Defendemos que o acto de ler deve ser sempre privilegiado (em última análise, é preferível ler a Revista Maria ou o Jornal a Bola, a não ler nada), o que nos parece é que há que conquistar os jovens, num primeiro momento, através de leituras que lhe sejam gratas para num segundo momento, os conduzirmos à leitura dos clássicos. E o mesmo processo se aplica à escrita, cativar as crianças e os jovens para a escrita não é uma tarefa fácil, no entanto, os exercícios de escrita criativa são, por norma, sempre bem recebidos pelos alunos. Estes exercícios constituem uma excelente forma de fazer com que os alunos escrevam, sem as contingências inerentes à avaliação, no entanto, após esta primeira fase, é preciso que o professor conduza os jovens para exercícios de escrita diversificados.