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15 de Mayo del 2009
O MULTICULTURALISMO E A ESCOLA
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RESUMO


O objetivo deste trabalho é discutir sobre a temática da diversidade cultural no processo educativo. Refletir em torno do mito da democracia racial, cultural, racialismo, etnia, identidade ética e multiculturalismo. Pontua-se ainda a presença de diferentes experiências socioculturais no Brasil, contribuindo para o repensar da prática pedagógica do professor e a formação do aluno enquanto sujeito das suas ações.

PALAVRAS-CHAVE: Cultura, identidade ética, diversidade cultural, educação e cidadania.



ABSTRACT


The objective of this work is to discuss on the theme of the cultural diversity in the educational process. It is to contemplate around the myth of the democracy racial, cultural, racialism, ethnic, ethical identity and multiculturalism. It is still punctuated the presence of different sociocultural experiences in Brazil, contributing to rethinking of the teacher's pedagogic practice and the student's formation while subject of their actions.

WORD-KEY: Culture, ethical identity, cultural diversity, education and citizenship.




1 INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho é pontuar as características das lutas de diferentes grupos sociais em favor do reconhecimento de suas diferenças culturais. Abordará o conceito de multiculturalismo, fazendo uma ponte dessa temática com o papel que a escola vem desempenhando no seu bojo para incluir esse fenômeno no seu currículo Pretende-se ainda identificar as múltiplas maneiras de perceber a diferença cultural entre os seres humanos, no período que corresponde aos séculos XVII e XIX,  nas sociedades ocidentais, e sua relação com a constituição da cidadania como um direito, apontando as implicações e os limites dessa concepção. Pontuaremos também os diversos significados do respeito à diferença no cotidiano escolar, distinguindo a diferença entre tolerância com o "outro" e exercício da cidadania cultural no espaço escolar. Para finalizar, será feita uma reflexão, quando ousaremos perspectivar um cenário de futuro para a escola frente o multiculturalismo.

Atualmente, vários movimentos sociais no Brasil e no mundo têm questionado a visão homogeneizada na sociedade e reivindicam uma política de reconhecimento, tanto de suas diferenças, de suas múltiplas identidades, como de suas desvantagens e desigualdades sociais, oriundas da discriminação social de gênero, de raça, de opção sexual e de origem regional. As ações dessas diferentes instituições são cognominadas multiculturalismo. Nesse sentido, é obrigação dos Estados democráticos contribuírem para que os grupos que se encontrem em desvantagem possam conservar as suas culturas contra as interferências das culturas majoritárias ou de massa. A política voltada para o reconhecimento da diferença exige que as instituições públicas não passem por cima das particularidades. Afinal, existe um leque muito largo de opções para viver a vida em sociedade. E o mais interessante é quando "apreendemos" e compreendemos o outro, ocasião em que podemos perceber com nitidez o que somos e os valores que norteiam nossas vidas.

Esse movimento de reconhecimento e valorização das especificidades culturais do outro tem sido um postulado desafiador para a escola por alguns indicadores, que convém refletir para que possamos perceber e entender atitudes exclusivas por parte desta instituição, quando na verdade tem como função primordial respeitar as diferenças, haja vista, ser um palco onde desfila a democracia e, principalmente, pelo seu principal objetivo: proporcionar o aprendizado do aluno, considerando o ritmo individual de cada um.
Neste sentido, pretendemos neste diálogo, construir um entendimento de cultura à luz dos estudiosos desse tema para, a partir de então, refletir a atenção que temos disponibilizado sobre esse entendimento dentro da escola. Seria na verdade a desconstrução do conceito de cultura e outro olhar para essa concepção.

LARRAIA (2005) no seu livro CULTURA: UM CONCEITO ANTROPOLÓGICO apresenta alguns fatores que promoveriam a homogeneização da cultura, aborda o determinismo biológico, o geográfico, mas conclui dizendo que não é o suficiente para manter uma cultura de um povo igual ao outro e ratifica dizendo:

As diferenças existentes entre os homens, portanto, não podem ser explicadas em termos das limitações que lhes são impostas pelo seu aparato biológico ou pelo seu meio ambiente. A grande qualidade da espécie humana foi a de romper com suas próprias limitações: um animal frágil provido de insignificante força física dominou toda a natureza e se transformou no mais terrível dos predadores. Sem asas, dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias, conquistou os mares. Tudo isto por que difere dos outros animais por ser o único que possui cultura (LARRAIA, 2005, pg 24).

Mas afinal o que é a cultura? Este é o ponto no qual vamos nos deter neste momento a fim de encaminhar um foco, uma possível resposta ou, quem sabe, provocar dúvidas e incertezas sobre o assunto.

LARRAIA (2005), depois de ter elencado vários conceitos de cultura, arrisca mais um e diz que:

O homem ao adquirir cultura, perdeu a propriedade animal, geneticamente determinada de repetir os atos de seus antepassados, sem a necessidade de copiá-los ou de submeter a um processo de aprendizado. Logo tudo que o homem faz, aprendeu com os seus semelhantes e não decorre de imposições originadas fora da cultura. Portanto, cultura é um conjunto de artefatos imprescindíveis para a existência humana, isto é, para definir cultura, significa compreender a própria natureza humana, tema perene da incansável reflexão humana" (LARRAIA pg 42).

Referenciando MURDOCK (1932), "os antropólogos sabem de fato o que é cultura, mas divergem na maneira de exteriorizar este conhecimento" (pg 63).

Toda esta discussão é para nos remeter a uma reflexão: Por que descortinar essa concepção de que somos todos iguais? O que tem de fato nos atraído no cenário atual que embala essa discussão acerca do multiculturalismo? Parece que tudo leva a crer que este embate permeia e se intensifica nas últimas décadas, devido aos efeitos da "globalização", isto é, a integração mundial das economias, dos meios de comunicação de massa e das políticas governamentais. Neste mundo globalizado, uma antiga concepção de nação, vista como culturalmente homogênea, uma só língua, uma só raça, uma só história, uma só cultura, etc., deixou de fazer sentido.

No meio desse debate, está também uma visão de cidadania, formada a partir de dois movimentos históricos, políticos e culturais importantes: o Iluminismo e a Revolução Francesa, os quais lançam uma série de idéias fundamentais e que estão presentes no nosso cotidiano. Uma delas é a de que todo ser humano é um indivíduo naturalmente livre e igual a todos os outros.

Entretanto, compete à escola e aos educadores, em especial, fazerem indagações do tipo: será que essas noções que influenciam o nosso modo de vida são adequadas? São capazes de satisfazer os desejos de homens e mulheres de diferentes regiões do planeta? Será que essa noção de cidadania, de que somos todos livres, todos iguais, é suficiente para fundamentar nossa prática pedagógica? Seremos mesmo todos iguais?

O que podemos dizer de antemão é que essa concepção tem tomado um outro rumo, graças às inquietações e conflito de movimentos diversos que têm surgido e se alastrado pelo mundo inteiro. O que tem nos mostrado tais conflitos, é que por todo o planeta, povos, maiorias e/ou minorias, têm exigido o reconhecimento de suas especificidades culturais e de suas desigualdades sociais, o que exige das instituições políticas, que levem em conta os múltiplos modos de ser e de estar no mundo, que caracterizam essas populações. Como alternativa de luta em favor de suas especificidades culturais, diferentes instituições vêm procurando desenvolver ações conhecidas por "multiculturalismo". Destarte, convém refletir: Mas afinal, o que é multiculturalismo? Trata-se de uma série de ações institucionais, desenvolvidas na sociedade civil e nos diversos níveis de poder da República; ações voltadas para a compreensão do problema das diferenças e para a elaboração de projetos capazes de fazer frente aos mecanismos que permitam a reprodução das desigualdades. É um termo típico do contexto globalizado e se constitui em um dos mecanismos para lutar contra toda forma de intolerância e em favor de políticas públicas capazes de garantir os direitos civis básico de todos.

Sob uma perspectiva multiculturalista, os Estados democráticos têm obrigação de contribuir para que os grupos que se encontrem em desvantagem, os chamados grupos minoritários, possam conservar as suas culturas contra as interferências das culturas majoritárias. Dessa forma, uma política voltada para o reconhecimento da diferença exige que as instituições públicas não passem por cima das particularidades. Afinal, existem muitas maneiras de viver a vida em uma sociedade.

A título de ilustração, tomemos como exemplo a pesquisa de um professor em escola pública de Minas Gerais, publicada num caderno pedagógico da Universidade Estadual de Santa Catarina (2002), sobre discriminação racial. Ao perguntar ao corpo docente sobre a presença de desigualdades e da prática de exclusão, ouviu de seus interlocutores quase sempre a mesma resposta: "Nesta escola, não existe racismo, tratamos todos os alunos como iguais". Isto nos remete a uma reflexão imensa, a ponto de questionarmos: Será que a questão é tratarmos todos os alunos iguais?

Um depoimento do professor Roque de Barro Laraia (2005) enriquece a discussão quando afirma: "Os africanos removidos violentamente de seu continente e transportados como escravos para uma terra estranha e habitada por pessoas de fenotipia, costumes e línguas diferentes, perdiam toda a motivação de continuar vivos" (LARRAIA pg. 75).
Ainda refletindo, ele continua dizendo:

a apatia dizimou parte da população kaingang de Pão Paulo, quando teve seu território invadido pelos construtores da estrada de ferro de noroeste. ao perceberem que os seus recursos tecnológicos e mesmo os seus seres sobrenaturais eram imponentes diante do poder da sociedade branca, estes índios perderam a crença em, sua sociedade. Muitos abandonaram a tribo; outros, simplesmente, esperaram pela morte que não tardou.  (idem 75 -76).

     O que pretendemos com este depoimento é fazer uma analogia com a pesquisa supracitada. Neste momento, cabe uma série de indagações, como por exemplo: Será que a postura da escola e de seus atores em conceber os alunos como classe homogênea, não tem provocado mortes, falta de iniciativa, dificuldade em se expressar, tolhimento pelo fato de serem considerados iguais, quando na verdade somos excepcionalmente diferentes, até mesmo no bojo familiar, que é uma instituição mais estreita?
Acreditamos plenamente que sim, partindo do pressuposto que pesquisas têm comprovado que o aluno, ao adentrar a escola, não é uma tabula rasa, não é um sujeito desprovido de conhecimento. E a nossa preocupação é exatamente com o cenário da escola diante desse contexto, ou seja, procurar entender como essa instituição tem desenvolvido suas ações, perspectivando lidar com a diversidade cultural e, a partir desse entendimento, perceber a importância que tem essa concepção na construção do conhecimento por parte do aluno.

Como a escola tem respondido às demandas pelo reconhecimento do direito à diferença? Como construir um currículo sob uma perspectiva multicultural?

A imaginação que temos acerca dessa discussão é que a exigência de respeito à pluralidade cultural significa, antes de tudo, o desenvolvimento de ações específicas voltadas, no caso brasileiro, para a incorporação dos grupos "minoritários"  -  nativos americanos e afro-descendentes. Não por acaso, existem ainda os que defendem a ampliação do campo de preocupação, principalmente na região sul do Brasil, para a inclusão do estudo dos povos germânicos, italianos e demais migrantes europeus.
O problema desse tipo de posição é que entendemos o respeito à diversidade como mera somatória, ao currículo tradicional, de uma série de assuntos que dizem respeito aos "outros".

Dessa maneira, não temos colocado em questão este "nós" oculto, que tem norteado as práticas escolares cotidianamente. Cria direta dos ideais iluministas, a escola se vê como instrumento civilizador. Logo, considera tarefa sua transferir aos alunos uma série de conhecimentos considerados universais.

O problema é que sobre a capa do universalismo, a escola toma o modo de vida das elites européias e as transforma em modelo civilizatório válido para todos os grupos humanos, como se fôssemos todos noruegueses. Dessa forma, uma política de reconhecimento da diferenças não pode se limitar à política de classificação, controle e fiscalização de referências culturais. Uma política de tolerância e conservação deve constituir-se em esforço de satisfação de demandas sociais e políticas, que mobilizam os indivíduos nos termos de uma identidade ética. Portanto, em uma política multicultural, em especial no campo da educação, não se trata apenas de reconhecer o "outro", mas, igualmente, de desbancar a pretensão etnocêntrica das culturas das elites brancas brasileiras, de constituir uma referência normativa, a partir da qual todos os outros valores culturais possam ser julgados.
Assim sendo, não basta introduzir conteúdos afro-brasileiros nas disciplinas curriculares, ou mesmo pensar numa educação bilíngüe para as crianças nativas americanas. É preciso colocar em questão a totalidade do currículo e das práticas cotidianas que constituem a escola como um espaço fundamentalmente de formação do individuo. É preciso questionar as ideologias nacionalistas, racionalistas e profundamente assimilacionistas, centradas no "mito de democracia racial". Práticas escolares comprometidas com a constituição da identidade; uma "mesmidade" nacional, que atuaria no sentido de minimizar diferenças e ressaltar aqueles fragmentos que, aparentemente, dão um sentido coerente.



                                                                                                                                                                   VER DOCUMENTO COMPLETO

   Por: CLENIA DOS SANTOS   
            Miembro Consultor REDEM en Brasil   
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Comentario: trabalho de multiculturalismo