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31 de Enero del 2010
UMA LEITURA CRÍTICA DA OBRA: UM ANTROPÓLOGO EM MARTE DE OLIVER SACKS
Resenha


Sacks, Oliver. Um antropólogo em marte: sete historias paradoxais. São Paulo: Cia das Letras, 1995. 333 páginas. 

A obra de Oliver Sacks retrata as histórias de 07 pacientes, sob a ótica da neurologia, revelando para o leitor o absurdo e a lucidez encontrada em cada uma delas. 

Oliver Sacks tem se destacado nos últimos anos pela singularidade de sua obra.  O neurologista, nascido em Londres, em 1933 e residindo atualmente nos Estados Unidos, apresenta seus estudos de caso para um público não especializado com uma linguagem muito mais  literária do que técnica.

Em seu livro: Um antropólogo em marte, é possível compartilhar, ao longo das 301 páginas, os questionamentos e angústias vividos pelo médico, diante de 07 quadros clínicos complexos e quase todos sem respostas ou solução. 

A heterogeneidade dos casos é rica e proporciona o conhecer (ou quase-conhecer) os mundos particulares de cada uma das personagens-pacientes. Para ilustrar, serão feitas referências a 03 casos .

Logo de início, tem-se contato com a história de uma pintor que sofre um acidente, perdendo a capacidade de reconhecer as cores. Seu mundo de cores passa, então, a ser dividido entre o branco e o preto. E a partir dessa nova realidade inicia um novo aprendizado: reconhecer os diferentes tons escondidos entre o branco e o preto para continuar a exercer a sua profissão.

Outro caso interessante, narrado pelo autor, está relacionado a um paciente apresentado com o nome de Greg F. É uma história que faz o leitor refletir a respeito dos desafios de  se entender como alguém que sofreu uma grave lesão cerebral, sem perder todo o seu referencial de vida, interpretaria o mundo onde vive. 

Mais um caso que merece ser destacado está relacionado com a história  de uma autista chamada: Temple Grandin. Segundo o autor, essa paciente havia publicado em 1986 uma auto-biografia denominada: emergence: labeled autistic. Ela desenvolvia projetos para fazendas criadoras de gado. 

O que chama a atenção do leitor, neste caso, é o fato de uma autista acima da média , denominada “savant” , reconhecer suas deficiências e conversar a respeito delas. Por exemplo, em um determinado trecho, Sacks observa o seguinte: “-perguntei-lhe se já tivera relações sexuais, ou seja se alguma vez tinha namorado e se apaixonado.

Não, ela respondeu. Era solteira. Nunca tinha namorado. Achava essas interações completamente frustrantes e muuito complexas na pática; nunca sabia o que estava sendo dito, ou insinuado, ou perguntado ou esperado” (pág. 291).

A obra de Sacks surpreende a cada nova história, contada com clareza e simplicidade de um observador nato, sem contudo perder a sua essência médica, colocando o leitor em contato com um mundo quase sempre desapercebido em nosso cotidiano. 

 

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   Por: Saulo César da Silva  
            Miembro Consultor REDEM en Brasil