O desafio da cidadania desinquieta apáticos e indiferentes, desinstala poderosos e "apoltronados" fantasiosos. Os alienados dificultam e até impedem as mudanças na sociedade.
É suficiente conscientizar-se de que promover mudanças radicais de atitude na filosofia de vida e na consistência de certos valores, caracteriza o desafio do século?
O impasse resulta da carência de cidadania. Ser autêntico cidadão envolve aprendizagem transcendente de respeito universal pelo ser humano. Esse respeito coíbe a invasão dos Espaços Vitais alheios, quando no exercício de nossos direitos e deveres.
Parece rotineiro brigarmos por aquilo que nem sempre nos pertence e esquecermos os deveres que nos alertam todos os dias.
O cidadão do mundo é o ser humano motivado pelo respeito à humanidade, independente da distância, dos obstáculos e dos desencontros.
A formação de valorosos cidadãos manifesta-se deficiente. O verdadeiro cidadão do mundo não admite que milhões de seres humanos vivam à míngua e morram no lixo.
A educação vertical vigente forma verdadeiros cidadãos? Enquanto perdurarem os paradigmas externos, como sustentáculos do sistema, as mudanças não atingirão o âmago do problema. Navegaremos na superfície da calmaria do lago
Necessitamos de seres humanos destemidos e valorosos para o exercício da cidadania.
A pergunta intrigante é: como formar verdadeiros cidadãos, cultos e emocionalmente, maduros, para promover mudanças em prol de uma humanidade humanizada?
A verdadeira cidadania está ligada à Ética. Éthos, do grego, casa, morada. Eticamente saudável, seria que cada ser humano construísse casa própria.Três modalidades educacionais se julgam modelos capacitados para formar verdadeiros e valorosos cidadãos:
1) EDUCADOR IMPOSITOR OU DEFINIDOR.
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O educador determina que o educando construa a própria casa. Estabelece a dinâmica, as estratégias, as dimensões e a localização da casa, o material selecionado e específico, adequação ao local, o dinamismo, etc. As bases estão sólidas e a casa pronta. As cores atraem e o local satisfaz O educando, porém, sente-se frustrado. A casa não foi idealizada por ele. O projeto originou-se das ideias e do poder do educador. O autoritarismo exige adesão às determinações. O educando não zelará pela morada, porque o estilo, a dinâmica impingida, e nem todas as normas e regimentos parecem viáveis. O educando deve pensar conforme paradigmas do educador. Se assumisse a morada, seria agressivo na convivência humana com a descoberta de seu anonimato na idealização da casa.
Em conseqüência, o educando não mantém a casa em ordem. A cidadania não representa significado para ele. Empregará, talvez, apenas 25% de suas potencialidades para o exercício da cidadania e para não desagradar, totalmente, ao educador.
2) EDUCADOR SUPERPROTETOR.
.O educador compassivo e "generoso" sente pena do educando. Coitado, está "doentinho". Não pode construir sua casa. Necessita de ajuda.
A superproteção transforma-se na maior desqualificação do ser humano. Predomina a imposição através do "agrade".
O educando lamenta porque o presentearam com a casa. Está preocupado porque haverá um bem sob sua guarda. Tenta tranqüilizar-se, porque o educador proverá os cuidados necessários para protegê-lo e manter a casa sempre atualizada.
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Para o educando, a cidadania e a ética têm insignificante relevância. A casa não lhe pertence. Talvez, aproximadamente O% das potencialidades estarão a serviço da preservação da casa.
3) EDUCADOR LIBERTÁRIO.
O educando decide construir sua casa. Elabora a planta, determina as estratégias, pesquisa os componentes, seleciona as técnicas adequadas, estabelece a convivência saudável no trabalho, estuda a viabilidade da casa e a funcionalidade em benefício da comunidade, etc.
Debate com o educador os pontos fundamentais da construção. Elimina, conscientemente, os materiais que podem inviabilizar a estrutura básica de sua casa. O educador faz-se presente como amigo, acolhedor, questionador, facilitador e nunca como impositor.
O educando sente-se feliz. A casa lhe pertence. Decidiu, conscientemente, pela edificação da casa. Estudou e analisou os componentes da construção.Tudo lhe pareceu adequado à construção confortável da casa. O educador aprova as decisões do educando.
O educando pode empregar 1OO% de suas potencialidades para o bom funcionamento de sua
Casa..
O educando está consciente de que a manutenção e a atualização do empreendimento tornou-se um grande desafio. Viver entre casas desmanteladas, desabitadas, antiquadas, ultrapassadas, alienadas, superadas, desconfortáveis, falsificadas, petrificadas, banalizadas, trancadas, públicas, desagradáveis, sem objetivos, sem sentido, sem estética, inexistentes, abrutalhadas, sem atração, sujas, apáticas, etc. torna-se, talvez, o maior desafio da convivência humana.
EDUCAMOS
01) quando adotamos paradigmas internos. 02) quando nossa presença for amorosa e afetiva. 03) quando focamos o foco do educando..4) quando eliminarmos a exaltação do erro e reforçamos os acertos. 5) quando promovemos a participação. 6) quando adotamos limites conveniados. 7) quando a disciplina externa for sustentada por contrato. 8) quando motivamos através do desafio e do reconhecimento. 9) quando implantamos convivência alegre e feliz. 10) quando acreditamos. 11) quando fomentamos a evolução das potencialidades. 12) quando incentivamos a criatividade. 13) quando caminhamos de mãos dadas. 14) quando permitimos que o educando cresça através de erros e acertos. 15) quando acalentamos o desenvolvimento intelectual. 16) quando adotamos a alfabetização emocional. 17) quando nos alegramos com os sucessos. 18) quando somos transparentes, participativos e acolhedores. 19) quando há concordância entre o falar e o agir. 20) quando vibramos por uma causa nobre. 21) quando somos humanizados. 22) quando partilhamos. 23) quando fomentamos a cultura positiva. 24) quando nos investimos de autoridade 25) quando promovemos o atendimento das "fomes" psicológicas. 26) quando promovemos o surgimento de campeões. 27) quando adotamos o acolhimento da Geração Y.
CONCLUSÃO
Em cada concepção estiveram disponíveis em torno de 500 (milhões?) de espermatozóides. Todos aptos a fecundar o óvulo que os aguardava.
Só um espermatozóide liderou a corrida. Fecundou o óvulo. Fato consumado. Aclamaram-no líder, campeão, vencedor, o mais inteligente e capaz, o maior batalhador da história, etc.
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Infelizmente, os milhões de espermatozóides, que fecundaram o óvulo compõem um aglomerado exército de perdedores que, na sua quase totalidade, vive campo de batalha interna e externa. A paz permanece distante. O encontro amigo está por acontecer.
Com os olhos vendados criamos movimentos e estratégias para harmonizar a espécie humana no planeta terra.
Todos os que nasceram foram campeões ou líderes na concepção. Enfrentaram talvez, o maior desafio do mundo.
Por que nascemos campeões e perdemos a liderança? Por que, como campeões, aprovamos violência, guerras, fome, miséria, analfabetismo e admitimos que integrantes de nossa espécie morram no lixo à caça de ratos para saciar a fome?
Uma pesquisa confirma que um em um milhão dos seres humanos se torna realmente líder.
Por que necessitamos de pesquisas e análises para detectar uma técnica moderna que solucionar o problema de formar líderes? Por que não aceitamos que cada ser humano seja líder? Por que mantemos um sistema educacional que bloqueia e sufoca as potencialidades humanas?
Se o espermatozóide gerador de sua vida tivesse fracassado pelo caminho? Você não teria nascido. O seu vice teria assumido a liderança. Um ser humano diferente de você teria nascido. Perguntamos: o mundo seria diferente? Para o mundo foi bom você e eu termos nascido?
Apesar disso, como permitir que surjam líderes intelectualmente capazes e emocionalmente maduros, para encantar a tantos desencantados com a carência de encantos na arte de conviver?
Antônio Luiz Bianchessi .