O entusiasmo contagiou a visão de uma possível nova educação, em prol da humanidade desesperada, sem rumo e alienada pelos desencontros, que distanciam pessoas com barreiras, às vezes, intransponíveis.
Somos construtores de muros, grades e muralhas, movidos pelo pavor da violência, que nos aflige e, às vezes, desespera. Carecemos de criatividade para a elaboração de projetos humanizados para construir pontes, que aproximem pessoas, famílias, escolas, comunidades e nações.
Consumimos mais de 50 anos no estudo, pesquisa, análise, avaliação, experiências laboratoriais, confecção de mais de 300 artigos sobre educação, e cinco livros como prática do sistema. Dedicamos 25 anos ministrando cursos em grandes empresas com consultorias, e exercemos as funções específicas em colégios, inclusive a de diretor. Ministramos, também, cursos para professores, educadores, jovens, casais, etc.
Nossa conclusão é taxativa: se não eliminarmos a ilusão de que o poder soluciona os problemas educacionais, e não promovermos mudanças radicais no modo de pensar e sentir, podemos asseverar que presenciaremos grandes e graves desastres na terra.
Apresentamos essa extensa introdução para confirmar que o sistema educacional vertical é a mola mestra, e o sustentáculo da desordem que avassala o planeta.
Podemos confirmar que a denominação de "paradigma" ou de "padrão", não representa relevância para a promoção de mudanças radicais de um sistema educacional falido. Interessa, que o educando seja o senhor e o responsável de suas decisões, e compromissado por elas na vida futura, como cidadão ético.
Ultrapassamos etapa evolutiva que impunha endeusar idéias, pareceres e opiniões como transformadores de uma sociedade, que,hoje, clama por socorro, misericórdia e compaixão. É urgentíssimo superar os desafios da humanização da convivência e da preservação da VIDA.Vivemos cambaleantes, na ânsia de vantagens pessoais, aguardando a intervenção ou a interferência do Papai Noel.
O educando, quando lhe facilitamos as melhores descobertas e as mais acertadas escolhas, sente-se capaz de enfrentar desafios, até desumanos, para conquistar o troféu de seus méritos, pelas decisões conscientes que assumiu. Empregará 100% de suas potencialidades para defender um projeto que lhe pertence.
A imposição não educa, mas pode condicionar o educando e forçá-lo a assumir determinado comportamento, que não lhe pertence. Sua responsabilidade pela execução da ordem recebida, talvez, atinja 25% de suas potencialidades.
A Educação Vertical vigente tem sua origem no educador. A força reside no poder, delegado ou não. Como comprovação, alertamos para as principais técnicas "axiológicas", adotadas para a obtenção de resultados "positivos inquestionáveis".
1) Medo, principalmente, fantasioso.
2) Culpa.
3) Dúvida.
4) Dívida.
5) Simbiose psíquica.
6) Superproteção.
7) Opressão.
8) Imposição.
9) Desqualificação.
10) Promessas de recompensa.
11) Rejeição.
12) Domesticação das emoções.
13) Síndrome de densidade física e psicológica.
14) Exaltação dos erros e defeitos alheios.
15) Injunção.
16) Maldição.
17) Pode e não pode.
18) Deve e não deve.
19) Desatenção e às vezes, menosprezo das "fomes" psicológicas do educando.
20) Ausência de reconhecimento.
21) Desqualificação da motivação, etc.
Com semelhantes normas educacionais, reforçadas por determinações explícitas, e outras que cumprem a mesma funcionalidade, construiremos um "mundo novo", onde, haverá muitos medrosos, culpados, endividados, confusos, violentos internos e externos, alienados, imprestáveis, loucos, etc.
Para aclarar o debate, transcrevemos nossa definição de instrução e educação. A instrução prepara o educando para o exercício de uma profissão. Ao passo que, a educação facilita a aprendizagem comportamental para uma vivência e convivência humanizadas.
Instrução seria proporcionar ao educando oportunidades de escolha consciente da aprendizagem, e capacitar-se para o exercício de uma profissão.
A educação proporciona ao educando oportunidades de realização das melhores escolhas, fundamentado em paradigmas internos, consciente de sua responsabilidade moral e ética, no exercício da cidadania, para uma convivência humanizada. (O Desafio dos educadores. Jornal do Brasil 08/01/08).
Alertamos para a premência das mudanças conscientizadas das convicções dos educadores na ação educativa.
Educamos:
a) quando o educador é presença transformadora, forte e amante da Vida, capaz de revolucionar a convivência humana, tornando-a humanizada.
b) quando criamos um clima educacional alegre, integrador, vibrante e promotor da valorização das escolhas conscientes.
c) quando demonstramos realização pessoal, alegria cativante e amor transbordante.
d) quando vibramos com os jovens de movimentos pela preservação do planeta.
e) quando positivamos o meio onde convivemos. Cientistas afirmam que o meio supera, às vezes, as forças do cérebro na "construção" do ser humano. (Tente amar alguém que nunca se sentiu amado).
f) quando convivemos harmoniosamente com as aspirações da Geração Y e batalharmos pela inclusão dos jovens.
EDUCADOR, você encanta, com elevado encanto, o educando encantado com sua presença encantadora, encanto que desencanta o encanto do desamor.
Antônio Luiz Bianchessi